Queda recente no preço do cacau no mercado internacional anima a indústria, mas os consumidores ainda precisam de paciência para sentir alívio no bolso
Mesmo com a recente queda no preço do cacau no mercado internacional, ainda deve levar um tempo para os consumidores brasileiros sentirem um alívio no bolso na hora de comprar chocolates e ovos de Páscoa. A explicação para isso está em uma combinação de fatores globais e locais que vêm pressionando o valor desses produtos nos últimos anos.
O que está acontecendo com o cacau no Brasil e no mundo?
O mercado global de cacau enfrenta uma verdadeira crise de oferta. Países que lideram a produção mundial, como Gana e Costa do Marfim, sofreram com problemas climáticos severos e doenças nas lavouras. Isso reduziu drasticamente a produção e gerou uma escassez importante no mundo todo.
Com menos cacau disponível, o preço disparou. Para se ter uma ideia, em 2025, o Brasil chegou a pagar mais que o dobro pelo cacau importado, mesmo sem aumentar o volume de compras.
O país, aliás, até tem uma produção relevante – cerca de 80% do cacau consumido aqui vem principalmente da Bahia e do Pará. Ainda assim, os outros 20% dependem de importações, o que deixa o mercado vulnerável às oscilações externas.
Além disso, com os preços internacionais elevados, o cacau brasileiro ficou mais valorizado lá fora. Resultado: as exportações cresceram cerca de 30% entre 2024 e 2025. Isso parece bom, mas tem um efeito colateral: menos cacau disponível no mercado interno acaba mantendo os preços altos por aqui.
Logística mais cara também pesa
Outro fator importante nessa equação vem da geopolítica. Conflitos recentes no Oriente Médio elevaram o preço do petróleo, o que encarece o transporte internacional. Como o cacau e seus derivados (como a manteiga de cacau) dependem dessa logística global, o aumento no frete impacta diretamente o custo final do chocolate.
Tendência é de queda no preço do chocolate
Mesmo com todos esses fatores afetando o preço do chocolate que consumimos, há uma boa notícia no horizonte: depois de atingir níveis próximos de US$ 10 mil por tonelada, o cacau recuou para cerca de US$ 3.300 na bolsa internacional. Essa queda indica um início de normalização no mercado.
Mas existe um detalhe importante: o chocolate que está sendo vendido agora foi produzido com matéria-prima comprada no auge da crise, quando os preços ainda estavam muito mais altos. Portanto, a tendência é de melhora gradual ao longo de 2026, especialmente a partir do segundo semestre.
Isso acontece porque a indústria trabalha com estoques. Só quando as empresas começarem a produzir chocolate com cacau mais barato é que os preços devem cair para o consumidor. Ou seja, o ovo de Páscoa mais barato é uma possibilidade real, mas ainda está “a caminho”.
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