Da novela ao campo: o império orgânico de um ator famoso tem gado solto, queijo premiado e até café e chocolate
Por  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

Aos poucos, o cenário mudou e hoje a fazenda abriga duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural

O “império” de Marcos Palmeira não se sustenta apenas por fama, e sim por tempo, certificação, manejo e números concretos (Crédito: Reprodução/@valedaspalmeirasorganicos no Instagram)

Para quem acompanha Marcos Palmeira nas novelas, a imagem mais comum é a do ator em personagens ligados à terra e à natureza. Fora das telas, esse roteiro virou vida real.

Entre Copacabana e Teresópolis (RJ), ele conduz há quase três décadas a fazenda Vale das Palmeiras, uma propriedade com mais de 200 hectares nas proximidades do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, que virou um polo de produção orgânica

Como tudo começou

A história nasce de um vínculo antigo com o campo, que passa pela infância na fazenda do avô em Itororó (BA), pela convivência com povos indígenas e por uma virada prática: o momento em que Palmeira percebeu que quem trabalhava na lavoura não comia o que plantava por causa do uso diário de veneno.

A partir daí, veio o curso de agricultura orgânica, uma mudança de manejo e, pouco a pouco, a construção de um projeto que mistura produção de alimentos, preservação ambiental e uma cadeia de parcerias para manter escala sem abrir mão do método.

O caminho até o orgânico começou bem antes da fazenda “famosa”

A relação do ator com a floresta e a agricultura foi moldada também fora do universo rural tradicional. Aos 16 anos, ele viveu por dois meses com o povo xavante. Depois, trabalhou no Museu do Índio, no Rio de Janeiro, e nos anos 1980 conviveu com o povo Arara, no Pará, ao lado do fotógrafo Luiz Carlos Saldanha.

Esse histórico ajuda a entender por que, quando ele fala de natureza, não trata apenas como paisagem. Para ele, a preservação não se separa de quem vive no território.

O início do projeto rural, porém, foi bem mais pragmático. Ao comprar um sítio no Rio de Janeiro, Palmeira conta que entrou no modo automático da agricultura convencional. Sem conhecimento técnico, seguia a orientação do comércio de insumos, comprava fertilizante e produtos para pulverizar e levava as hortaliças para a avó, orgulhoso, como “salada natural”.

A chave virou quando notou que os trabalhadores não consumiam o que produziam. Ao perguntar o motivo, ouviu a explicação direta: não dava para comer algo que recebia veneno todos os dias. A partir dessa constatação, buscou formação em agricultura orgânica, adotou a ideia de que “não existe praga, existe desequilíbrio” e passou a defender manejo como caminho para recuperar solo e produção.

Números que dimensionam o “império” da Vale das Palmeiras

A Vale das Palmeiras foi adquirida há quase 30 anos e tem certificação orgânica desde 1997. O portfólio inclui verduras, mel, café e chocolate, mas o motor mais conhecido do negócio é o laticínio.

É aí que entram números e curiosidades que mostram como o projeto deixou de ser “sítio” e ganhou escala, mantendo a proposta artesanal.

  • Mais de 200 hectares em Teresópolis (RJ), perto do Parque Nacional da Serra dos Órgãos
  • Certificação orgânica desde 1997
  • Queijo minas frescal como carro-chefe, com prêmio ouro no Guia do Queijo (2022)
  • Concurso do prêmio com mais de 120 participantes, mais de 60 produtores e 18 estados
  • Produção de cerca de 5 mil peças de minas frescal por mês, feita cinco vezes por semana
  • Linha de laticínios inclui minas padrão, tipo parmesão, ricota, cottage, além de iogurtes e manteiga
  • Rebanho com vacas criadas soltas e alimentadas com pasto, com foco em bem-estar animal
  • Para atender a demanda, Palmeira compra leite orgânico de outros três produtores da região
  • O laticínio vende apenas no Rio de Janeiro por ter selo de inspeção estadual, não federal

Fora do RJ, ele comercializa café (parcerias na fazenda e no Espírito Santo), mel (cooperativa) e chocolate (cacau da família na Bahia) Canais de venda citados incluem duas redes de supermercado, feiras, além de venda online e entrega a domicílio

Agrofloresta e preservação como plano de futuro

Quando chegou à propriedade, Palmeira descreve o vale como uma área com erosão e terra degradada, com poucas árvores. Aos poucos, o cenário mudou e hoje a fazenda abriga duas RPPN (Reservas Particulares do Patrimônio Natural).

O objetivo declarado é avançar para um sistema de agrofloresta, com mais árvores no pasto, mais sombra e conforto térmico para o gado, além de ampliar a diversidade de produtos e manter o crescimento “sem perder a qualidade”, de forma organizada.

No fim, o “império” de Marcos Palmeira não se sustenta apenas por fama, e sim por tempo, certificação, manejo e números concretos. A história dele no campo é feita de viradas reais, de decisões motivadas por experiências práticas e de um projeto que une produção de alimento orgânico com um plano de preservação de longo prazo.

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