Especialista explica os benefícios da parte externa da fruta e por que algumas pessoas podem ter desconforto mesmo após descascá-la
A maçã é o tipo de alimento que se destaca principalmente pela praticidade. Afinal, ela é fácil de ser carregada para qualquer lado, é resistente e só precisa ser lavada para comer. Mas existe uma discussão que divide as opiniões de muita gente: afinal, é melhor comer maçã com ou sem casca?
Para o biólogo molecular Hrvoje Dokuzović, essa resposta pode não ser tão simples. Isso porque a casca concentra a maior parte das fibras da fruta, mas isso não significa que comer a maçã inteira seja a melhor alternativa para todo mundo. Vamos entender melhor esse assunto a seguir!
A casca da maçã tem um bom motivo para ser consumida
Estima-se que uma unidade média de maçã fornece cerca de 4 gramas de fibras – quantidade que contribui para as necessidades diárias desse nutriente e que ajuda na sensação de saciedade. Mas, além das fibras, a fruta também fornece minerais importantes, como potássio, fósforo, cálcio, magnésio e ferro, e boas doses de vitamina C, E e algumas do complexo B.
O que muita gente não sabe é que é justamente na casca que está uma boa parte desse conteúdo nutricional. Segundo Dokuzović, é na parte externa da fruta que se concentra uma quantidade maior de pectina e fibras insolúveis.
A pectina é uma fibra solúvel que pode ser fermentada pelas bactérias do intestino, enquanto as fibras insolúveis contribuem para o funcionamento intestinal e para o aumento do volume das fezes. Desta forma, retirar a casca significa abrir mão de parte das fibras presentes naturalmente na fruta. Isso não transforma necessariamente a maçã descascada em uma escolha ruim, mas mostra que a casca também tem valor nutricional.
Então é melhor comer maçã sempre com casca?
É aqui que entra um detalhe importante: a tolerância individual. Em vídeos publicados nas redes sociais, Dokuzović chama atenção para a presença de frutose e sorbitol na maçã. Os dois compostos podem provocar desconforto digestivo em algumas pessoas, especialmente quando consumidos em quantidades maiores ou por quem apresenta maior sensibilidade intestinal.
A frutose é um açúcar naturalmente presente nas frutas. Já o sorbitol é um tipo de poliol, também chamado de álcool de açúcar. Em pessoas sensíveis, ambos podem estar associados a sintomas como gases, distensão abdominal, cólicas e alteração do funcionamento intestinal.
Ao retirar a casca da maçã, esses componentes não são eliminados. Ou seja, para quem tem dificuldade de digerir frutose ou sorbitol, comer uma maçã descascada ainda pode causar desconforto.
Com isso em mente, o especialista orienta que quem tolera bem a fruta deve consumi-la com casca para aproveitar uma quantidade maior de fibras. Já quem percebe desconforto depois de comer maçã, pode retirar a casca para reduzir o problema, mas isso não irá necessariamente resolvê-lo.
Outro ponto destacado por Dokuzović é o tamanho da porção, que pode ser mais relevante do que a decisão entre descascar a fruta ou não. Uma pequena quantidade pode ser bem tolerada por alguém que apresenta sensibilidade, enquanto uma porção maior pode desencadear sintomas. Por isso, não basta olhar apenas para a casca para determinar se a fruta será confortável para o sistema digestivo.
A maçã continua sendo uma boa escolha para o dia a dia
No fim das contas, a casca não precisa ser encarada como vilã nem como uma parte obrigatória da maçã. Ela concentra fibras importantes e pode ser aproveitada por quem não apresenta desconforto ao consumi-la.
Por outro lado, pessoas com maior sensibilidade digestiva podem precisar prestar atenção à quantidade ingerida e à própria tolerância à frutose e ao sorbitol.
Assim, a melhor escolha depende menos de uma regra universal e mais da combinação entre valor nutricional, tamanho da porção e resposta individual. Para a maioria das pessoas, comer a maçã bem higienizada e com casca é uma forma prática de aproveitar mais fibras — mas descascá-la também pode fazer sentido dependendo da preferência e da tolerância de cada organismo.