Os pescadores espanhóis concordam: “Esta parte da merluza deve ser removida porque está cheia de parasitas.”
Adriana DouglasPor  Adriana Douglas

A região próxima à barriga merece atenção especial durante o preparo, mas alguns cuidados simples garantem um consumo mais seguro do peixe

Os pescadores espanhóis concordam: “Esta parte da merluza deve ser removida porque está cheia de parasitas.”

Vale ter um cuidado extra ao consumir merluza fresca no dia a dia (Créditos: Engin Akyurt/Pexels)

A merluza é um dos peixes mais consumidos nas mesas brasileiras. Mas pouca gente sabe que existe uma parte dela que merece atenção durante o preparo: a ventresca. Segundo pescadores e especialistas espanhóis, é justamente ali que pode haver uma maior concentração de Anisakis, um parasita encontrado em peixes marinhos.

Isso não significa que a merluza seja um alimento perigoso. Normalmente, o risco está no consumo do peixe cru ou mal cozido sem os cuidados necessários. Por isso, além de limpar a merluza adequadamente, é importante seguir algumas medidas que garantem a segurança do alimento.

Barriga da merluza deve ser manipulada corretamente

A ventresca da merluza é uma região bastante apreciada por ser mais gordurosa e saborosa, mas também fica próxima às vísceras, onde as larvas de Anisakis podem estar concentradas. Por conta disso, os pescadores mais experientes costumam retirar e descartar essa parte do peixe.

Apesar de ser saborosa, a ventresca da merluza deve ser descartada para evitar uma possível contaminação por Anisakis (Créditos: Shutterstock)

Apesar de ser saborosa, a ventresca da merluza deve ser descartada para evitar uma possível contaminação por Anisakis (Créditos: Shutterstock)

De acordo com especialistas, depois que o peixe morre, as larvas presentes nas vísceras podem migrar para outras partes do animal. Desta forma, a evisceração rápida, ainda durante o processamento do pescado, é uma das medidas utilizadas para diminuir a possibilidade de contaminação.

Presente em diversas partes do mundo, o Anisakis é um tipo de verme microscópico que pode parasitar diferentes peixes e frutos do mar. Quando uma pessoa consome pescado contaminado cru ou insuficientemente cozido, pode ocorrer a anisakíase, uma infecção que provoca sintomas gastrointestinais e, em algumas pessoas, reações alérgicas.

Comprar o peixe já limpo é uma boa ideia

Uma das formas mais simples de reduzir o risco de contaminação por Anisakis durante o preparo doméstico é comprar a merluza já eviscerada. Quando isso não for possível, o ideal é retirar as vísceras o quanto antes depois da compra. No entanto, é importante destacar que a retirada dessa parte, sozinha, não substitui o cozimento adequado do peixe.

Filés e postas de merluza devem ser bem cozidos ou então congelados antes do preparo (Créditos: Deane Bayas/Pexels)

Filés e postas de merluza devem ser bem cozidos ou então congelados antes do preparo (Créditos: Deane Bayas/Pexels)

Para garantir que o parasita seja eliminado, o ideal é que o interior do pescado atinja aproximadamente 60 °C durante pelo menos um minuto. Ou seja, o calor precisa chegar ao interior do peixe – postas muito grossas ou filés grandes podem exigir mais tempo no fogo.

Já as preparações em que o peixe não passa por um cozimento suficiente, como sushi, ceviche e carpaccio, exigem atenção redobrada. Nestes casos, a recomendação é utilizar pescados previamente congelados ou deixar a merluza fresca no congelador de casa por, pelo menos, cinco dias antes de consumi-la.

Merluza continua sendo uma boa escolha

Apesar de necessário, o alerta sobre a possível presença de Anisakis na merluza não é motivo para colocar a espécie na lista de alimentos "proibidos". Ela continua sendo uma opção nutritiva, econômica e versátil para o dia a dia. Basta ter os devidos cuidados durante a compra, limpeza e preparo do peixe.

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