Ao fazer escolhas mais equilibradas, é possível diminuir a inflamação (Crédito: Shutterstock)
O carnaval é sinônimo de longas horas em pé, calor intenso, deslocamentos constantes e, para muitos, consumo de bebida alcoólica acima do habitual.
No meio da festa, a alimentação costuma ser resolvida de forma prática: frituras, salgados prontos e ultraprocessados vendidos na rua para "forrar o estômago”.
Mas essa estratégia pode estar sabotando a energia e a recuperação....
A sobrecarga invisível no fígado e na digestão
Segundo o nutrólogo Felipe Gazoni, médico pós-graduado em nutrologia, “O principal erro que muita gente comete durante o carnaval é misturar bebidas alcoólicas com comidas gordurosas, frituras e ultraprocessados, achando que isso forra o estômago e ajuda a aguentar a folia".
Na prática, acontece o oposto. A ideia de que gordura protege contra os efeitos do álcool é comum, mas fisiologicamente não funciona como muitos imaginam. O álcool já exige processamento hepático prioritário. Quando associado a grandes quantidades de gordura, a carga metabólica aumenta.
Gazoni detalha esse mecanismo de forma direta: “Gordura + álcool sobrecarregam fígado e sistema digestivo, a digestão fica lenta e menos energia disponível.” Isso significa que, em vez de garantir resistência para aguentar horas de bloco, essa combinação reduz a eficiência energética do organismo.
O cansaço piora no dia seguinte
O impacto não termina quando a música acaba. No dia seguinte, o corpo precisa se recuperar do esforço físico, da possível privação de sono e da desidratação. Porém, quando a alimentação foi baseada nesse “combo pesado”, o processo de recuperação tende a ser mais lento.
O médico alerta que essa combinação “também aumenta inflamação, inchaço e mal-estar além de piorar o cansaço, a ressaca e atrasa a recuperação no dia seguinte, favorecendo hipoglicemia, tontura e queda de rendimento físico".
A hipoglicemia pode ocorrer porque o álcool interfere na regulação da glicose, especialmente quando há jejum prolongado ou refeições inadequadas. Isso explica sintomas como tremor, fraqueza e tontura após dias intensos de festa.
Energia sendo desperdiçada onde não deveria
Durante o Carnaval, o gasto energético é alto. Caminhar, dançar, enfrentar calor e multidões já representa uma demanda física relevante. Nesse contexto, o corpo precisa de energia de rápida disponibilidade, hidratação constante e micronutrientes.
Mas o que acontece quando a alimentação é predominantemente gordurosa? Gazoni resume: “O corpo gasta muita energia tentando digerir esse combo, quando você precisava justamente de energia rápida, hidratação e micronutrientes para manter o ritmo da festa”.
Ou seja, o organismo direciona esforço metabólico para lidar com a digestão pesada em vez de usar essa energia para sustentar desempenho e disposição.
Como minimizar os danos sem radicalismo
Não é necessário transformar o Carnaval em um período de restrição rígida. Pequenas estratégias já fazem diferença: evitar frituras em excesso, intercalar bebida com água, não passar longos períodos em jejum e priorizar refeições simples antes de sair para os blocos.
O objetivo é manter a disponibilidade energética e reduzir a sobrecarga digestiva. Ao fazer escolhas mais equilibradas, é possível diminuir inflamação, melhorar a recuperação e manter o rendimento ao longo dos dias de festa.
Vai curtir os blocos de pré-Carnaval? Anote essas dicas para não passar sufoco durante a folia!