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Ela criou um tomate com sabor de hambúrguer com a ajuda de inteligência artificial: a jovem de 17 anos já obteve a patente nos Estados Unidos
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JoannaPor  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

Gabriella Rothberg desenvolve um projeto para criar tomates capazes de produzir compostos associados ao sabor da carne.

Ela criou um tomate com sabor de hambúrguer com a ajuda de inteligência artificial: a jovem de 17 anos já obteve a patente nos Estados Unidos

Uma estudante quer transformar o sabor do tomate com a ajuda da engenharia genética. (créditos: Shutterstock)

Imagine morder um tomate e sentir o sabor de um hambúrguer. Parece coisa de ficção científica, mas essa é a ideia por trás de um projeto de engenharia genética desenvolvido pela jovem pesquisadora Gabriella Rothberg, nos Estados Unidos. A proposta é modificar plantas de tomate para que elas produzam heme, uma molécula que contribui para o sabor característico da carne.

O projeto, chamado Impossible Vines, começou com uma pergunta que Gabriella se fez aos 15 anos e evoluiu para uma iniciativa com patente registrada nos Estados Unidos. Ao lado de Maddison Marshall, doutoranda da Universidade de Miami, a estudante trabalha para desenvolver plantas capazes de produzir compostos associados ao sabor da carne.

O que é heme e por que ele está relacionado ao sabor da carne?

O heme é uma molécula que contém ferro e está presente naturalmente em proteínas encontradas nos tecidos animais, como a hemoglobina e a mioglobina. Além de participar de funções importantes no organismo, ele contribui para as reações químicas que acontecem durante o cozimento da carne e ajudam a formar seu aroma e sabor característicos.

É justamente por isso que o composto desperta o interesse de pesquisadores que trabalham no desenvolvimento de alimentos à base de plantas com sabor semelhante ao da carne.

A empresa Impossible Foods, por exemplo, utiliza leveduras geneticamente modificadas para produzir heme e incorporar a substância a seus produtos vegetais. A proposta da Impossible Vines segue uma direção diferente. O objetivo é fazer com que a própria planta de tomate produza os compostos desejados.

“Então você vai morder um tomate e ele terá gosto de hambúrguer”, explicou Gabriella ao Miami New Times ao descrever a ideia por trás do projeto.

A expectativa é desenvolver um alimento que combine características de um vegetal com um sabor geralmente associado a produtos de origem animal. No entanto, ainda é necessário verificar se os tomates conseguirão apresentar esse resultado na prática.

Como os pesquisadores querem criar um tomate com gosto de hambúrguer

Para tentar alcançar esse objetivo, a equipe utiliza uma técnica de engenharia genética com a bactéria Agrobacterium. Ela é empregada em pesquisas científicas para transferir material genético para células vegetais.

Nesse caso, o método permite introduzir nas plantas os genes selecionados para que elas produzam proteínas envolvidas na síntese dos compostos relacionados ao heme.

O processo, porém, não aconteceu sem dificuldades. Durante meses, as plantas não se desenvolveram da maneira esperada. A equipe precisou buscar orientação de outros pesquisadores até identificar um problema na concentração de vitaminas utilizada no meio de cultura, ambiente que fornece os nutrientes necessários para o crescimento das plantas durante o experimento.

Depois que essa condição foi corrigida, o desenvolvimento avançou. Segundo Gabriella, a mudança permitiu que a pesquisa progredisse em um ritmo muito mais rápido.

Ainda assim, fazer uma planta crescer em laboratório é apenas uma etapa do trabalho. Os pesquisadores precisam avaliar se os tomates produzirão os compostos em quantidade suficiente, se poderão ser cultivados de maneira viável e quais serão suas características quando estiverem maduros.

Inteligência artificial também ajudou no desenvolvimento do projeto

Outro aspecto que chama a atenção na iniciativa é o uso de inteligência artificial (IA). Gabriella recorreu a ferramentas desse tipo para auxiliar em diferentes etapas, desde a elaboração de um plano de negócios até a preparação de uma minuta de patente.

A tecnologia também foi utilizada no planejamento das construções genéticas que seriam introduzidas nas plantas.

“Ela me ajudou a elaborar um plano de negócios, redigir uma patente e construir os projetos para o gene heme que quero integrar na planta de tomate”, contou a jovem ao Miami New Times.

O uso da IA não significa, porém, que a tecnologia substitua os testes científicos. Os resultados do experimento ainda precisam ser comprovados por meio de análises e avaliações realizadas pelos pesquisadores.

Projeto já tem patente nos Estados Unidos

A Impossible Vines também avançou na área de propriedade intelectual. Uma patente americana emitida em junho de 2026 identifica Gabriella e seu pai, Jonathan Rothberg, como inventores, enquanto a Impossible Vines Inc. aparece como titular da patente.

Embora a patente represente um avanço para o projeto, ela não significa que o produto esteja pronto para ser comercializado. Ainda há etapas importantes para demonstrar que a tecnologia funciona como esperado e que os tomates podem ser produzidos com segurança e viabilidade.

Além do sabor, jovem quer aumentar o licopeno dos tomates

A equipe utiliza uma bactéria chamada Agrobacterium para introduzir material genético nas plantas de tomate. (créditos: Shutterstock)

A equipe utiliza uma bactéria chamada Agrobacterium para introduzir material genético nas plantas de tomate. (créditos: Shutterstock)

Além de investigar a produção de compostos relacionados ao heme, Gabriella estuda a possibilidade de aumentar a quantidade de licopeno nos tomates.

O licopeno é um pigmento natural responsável por grande parte da coloração vermelha do fruto. Ele pertence ao grupo dos carotenoides e tem propriedades antioxidantes, motivo pelo qual é estudado por pesquisadores interessados na relação entre alimentação e saúde.

Algumas pesquisas investigam uma possível associação entre o consumo de licopeno e a redução do risco de determinadas doenças, incluindo alguns tipos de câncer. Entretanto, as evidências disponíveis não permitem afirmar que aumentar a ingestão desse composto seja suficiente para prevenir a doença.

Por isso, mesmo que o projeto consiga produzir tomates com mais licopeno, eventuais benefícios para a saúde ainda precisariam ser avaliados. A quantidade presente no alimento, sua absorção pelo organismo e o conjunto da alimentação são fatores importantes nessa análise.

Tomate com gosto de carne pode ajudar na alimentação?

Uma das possibilidades levantadas por Gabriella é que a tecnologia contribua para ampliar o acesso a determinados nutrientes em locais onde a carne é cara ou difícil de encontrar.

A ideia também desperta interesse pela possibilidade de desenvolver alimentos vegetais com características nutricionais diferentes das variedades convencionais. No entanto, a presença de heme em um tomate modificado, por si só, não garante que o alimento forneça uma quantidade significativa de ferro que possa ser absorvida pelo organismo.

Para avaliar esse potencial, será necessário medir a quantidade produzida e estudar sua biodisponibilidade, ou seja, quanto do nutriente pode ser efetivamente aproveitado pelo corpo.

Os pesquisadores também precisam investigar o perfil nutricional final do fruto e verificar se as plantas conseguem crescer de maneira consistente fora das condições controladas do laboratório.

Por enquanto, o tomate com gosto de hambúrguer continua sendo uma proposta em desenvolvimento. Se os testes confirmarem que a tecnologia funciona, o projeto poderá abrir novas possibilidades para a produção de alimentos vegetais.

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