A filha assumiu a banca e passou a manter viva a tradição da família. (Créditos: Canva)
Durante cinco décadas, uma família transformou a produção artesanal de queijo e creme em um modo de vida. Quando a mãe já não conseguiu mais continuar à frente da banca no mercado de Osijek, na Croácia, a filha assumiu o lugar e passou a carregar não apenas os produtos, mas também uma tradição construída ao longo de gerações.
Vesna Lovrenčić trabalha há cerca de 15 anos na área coberta do principal mercado de Osijek, onde comercializa os mesmos tipos de produtos que sua mãe vendeu durante aproximadamente meio século. A produção vem da propriedade da família, localizada em Hrastovac, onde são criadas cinco vacas.
Segundo Vesna, assumir a banca foi uma maneira de ajudar a preservar a pequena propriedade rural da família. O trabalho envolve muito mais do que chegar ao mercado e vender os alimentos: é preciso cuidar dos animais, produzir o leite e acompanhar todas as etapas necessárias até que os queijos e derivados estejam prontos para os consumidores.
Entre os produtos oferecidos estão queijo fresco, queijo salgado e creme de leite. Quando há uma quantidade maior de creme disponível, Vesna também prepara manteiga, outro item bastante procurado pelos frequentadores do mercado.
Uma tradição que exige trabalho diário
A produção artesanal começa muito antes de o queijo chegar à banca. A família precisa cuidar da terra, alimentar e ordenhar as vacas e, depois, realizar os diferentes processos necessários para transformar o leite em cada produto.
A diferença entre os tipos de queijo também está na forma de preparo. Enquanto o queijo fresco passa por um processo natural de acidificação, o queijo salgado é produzido com leite fresco, coalho e sal.
Vesna conta que trabalha com o filho e que os dois ajudam a manter as atividades da propriedade. Apesar de todo o esforço, ela reconhece que a produção artesanal não representa um negócio de grandes margens de lucro. Há despesas com alimentação dos animais, cuidados veterinários, análises, inspeções e manutenção da terra.
Ainda assim, a família continua produzindo. Para Vesna, abandonar a atividade significaria colocar em risco uma tradição que sua mãe sustentou por décadas.
Os clientes da mãe continuam frequentando a banca
Mesmo depois de 15 anos no mercado, Vesna ainda recebe clientes que compravam diretamente com sua mãe. Ao mesmo tempo, construiu a própria freguesia, formada por pessoas que já procuram seus produtos sempre que passam pelo local.
A rotina, porém, mudou. Vesna percebe que o mercado já não recebe o mesmo movimento de antigamente e que os consumidores passaram a comprar cada vez mais produtos industrializados em supermercados e centros comerciais.
A diferença de preço também pesa. Os produtos artesanais podem custar um pouco mais do que versões encontradas nos supermercados, mas a vendedora acredita que o sabor e a forma de produção fazem com que o alimento caseiro continue tendo seu próprio valor.
A família não é a única a insistir nesse modelo. Na área coberta do mercado, outros vendedores também continuam comercializando queijos e creme produzidos de maneira artesanal. Para eles, manter a tradição acaba sendo uma escolha que vai além da questão financeira.
No caso de Vesna, a banca representa a continuidade de uma história iniciada pela mãe há cerca de 50 anos. Hoje, é ela quem chega ao mercado, atende os antigos clientes e tenta garantir que o pequeno negócio familiar continue existindo.
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