"Quando comer alho é proibido?": aqui estão os perigos silenciosos de consumir o superalimento segundo o médico Fernando Lemos
Por  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

A mensagem do Dr. Fernando Lemos é menos sobre medo e mais sobre bom senso...

O alho continua sendo um alimento valioso na cozinha! (Crédito: Shutterstock)

O alho é um dos ingredientes mais usados na cozinha brasileira e, para a maioria das pessoas, continua sendo um tempero seguro. O alerta, porém, começa quando o consumo deixa de ser culinário e vira exagero diário, receita caseira "medicinal" ou cápsula de alho tomada sem orientação.

No vídeo "PROIBIDO COMER ALHO!", o médico coloproctologista Fernando Lemos reforça que o alho tem propriedades importantes, mas não deve ser tratado como inofensivo em qualquer situação...

"Quando comer alho é proibido?" O problema não é o alho como tempero comum...

O alerta não é para quem usa um ou dois dentes no refogado. O próprio médico destaca que o foco não é o alho como tempero comum, mas o consumo exagerado ou o uso de cápsulas. Essa diferença é importante porque suplementos costumam concentrar doses muito maiores do que aquelas usadas em preparos do dia a dia.

Órgãos de saúde também fazem esse tipo de distinção. O NCCIH, centro norte-americano ligado aos Institutos Nacionais de Saúde, alerta que suplementos de alho podem aumentar o risco de sangramento, especialmente em pessoas que farão cirurgia ou usam anticoagulantes, aspirina ou outros medicamentos que afetam a coagulação.

Antes e depois de cirurgias, o alho pode virar risco

Um dos principais alertas do médico envolve cirurgias. Segundo ele, o alho pode agir como um anticoagulante natural, deixando o "sangue mais fino". O problema é que isso pode aumentar o risco de sangramentos durante ou depois de procedimentos, inclusive cirurgias dentárias, ginecológicas, abdominais ou proctológicas.

A recomendação citada por ele é suspender o consumo em excesso e cápsulas de alho cerca de 7 dias antes de cirurgias e manter o cuidado por mais 7 dias depois. O ponto é evitar que o alimento aumente o risco de hemorragias em um momento em que o corpo precisa cicatrizar e controlar bem o sangramento.

Quem usa anticoagulantes precisa ter atenção redobrada

O cuidado também vale para pessoas que usam medicamentos para circulação, coração ou prevenção de trombose. O alho pode potencializar o efeito de remédios anticoagulantes ou antiagregantes, aumentando o risco de sangramentos. O médico cita medicamentos como AAS, aspirina, Marevan, Marcoumar, Lixiana, Pradaxa, além de substâncias como ginkgo biloba, diosmina e cilostazol.

Nesses casos, o risco não é teórico. O sangramento pode aparecer na urina, no nariz, na boca, nos olhos, no reto ou em outros locais. Mulheres com fluxo menstrual muito intenso também devem observar se o consumo exagerado de alho piora o quadro. A orientação mais segura é conversar com o médico antes de usar alho em cápsulas ou em doses altas se já existe remédio que interfere na coagulação.

Pressão baixa, hipoglicemia e remédios de uso contínuo

Outro grupo que merece cautela é o de pessoas com pressão baixa. O alho pode favorecer a redução da pressão arterial em algumas situações, especialmente em doses concentradas. Para quem já tem hipotensão, isso pode piorar sintomas como “moleza excessiva, indisposição crônica e até síncopes, palavra usada para desmaios.

Algo parecido pode acontecer com pessoas que têm crises de hipoglicemia ou usam medicamentos para diabetes. O alho pode ter efeito de redução da glicose no sangue, e isso exige cuidado quando a pessoa usa insulina ou remédios hipoglicemiantes. 

Isso não significa que todo diabético está proibido de comer alho na comida. O alerta é para exageros, suplementos e uso frequente com intenção medicinal sem acompanhamento. Quando há remédio envolvido, qualquer ingrediente usado em dose concentrada pode mudar o equilíbrio do tratamento. 

Alho pode interferir em medicamentos para HIV 

O vídeo também chama atenção para pacientes em tratamento de HIV. Segundo o médico, o alho pode interferir na eficácia de alguns antirretrovirais, seja reduzindo a absorção, seja aumentando efeitos indesejados. Essa é uma situação em que o uso de cápsulas ou grandes quantidades precisa ser discutido com o médico.

Em pessoas em tratamento de HIV, o cuidado precisa ser maior porque o alho em cápsulas ou em excesso pode interferir na ação de alguns remédios. Em certos casos, ele pode reduzir o efeito esperado do medicamento; em outros, pode aumentar o risco de efeitos colaterais. Por isso, quem usa antirretrovirais deve evitar suplemento de alho sem orientação médica.

Problemas anais e retais também podem piorar

Como coloproctologista, Fernando Lemos dá um alerta específico para quem sofre com hemorroidas, fissuras, fístulas, papilite, prolapso mucoso ou passou por cirurgia na região anal. Segundo ele, grandes quantidades de alho podem gerar resíduos digestivos que deixam as "fezes ácidas", irritando o canal anal.

Na prática, isso pode piorar ardor, coceira, inchaço e sangramentos locais. Para quem já está com a região sensível, qualquer irritante alimentar pode aumentar o desconforto. Nesses casos, cortar temporariamente o excesso de alho pode ser parte do cuidado até os sintomas melhorarem.

Quando vale reduzir ou evitar o alho

Algumas situações pedem atenção especial antes de consumir alho em grande quantidade ou usar cápsulas:

  • Uso de anticoagulantes, antiagregantes ou remédios para circulação
  • Cirurgias marcadas ou recuperação pós-operatória
  • Pressão baixa frequente
  • Crises de hipoglicemia ou uso de insulina e remédios para diabetes
  • Tratamento com antirretrovirais
  • Uso frequente de relaxantes musculares
  • Hemorroidas, fissuras, fístulas ou pós-operatório proctológico

Essa lista não transforma o alho em vilão. Ela apenas mostra que até alimentos saudáveis podem ter efeitos relevantes quando consumidos em excesso ou combinados com medicamentos. O maior risco está em usar alho como "tratamento natural" sem avisar o médico.

Alho é bom, mas não é livre de risco

O alho continua sendo um alimento valioso na cozinha. Ele dá sabor, ajuda a reduzir o uso excessivo de sal e faz parte de muitas preparações saudáveis. O problema é acreditar que, por ser natural, ele não pode fazer mal. Pode, principalmente em cápsulas, doses altas ou situações clínicas específicas.

O que acontece com o seu corpo se comer de 1 a 2 dentes de alho todos os dias?

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