Pare de colocar comida quente no pote de plástico: hábito pode trazer riscos que você nem imagina
Por  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

Essa pequena mudança evita deformar utensílios e ajuda a conservar melhor as refeições 

O cuidado realmente importante é saber para que cada pote foi desenvolvido (Crédito: imagem gerada via Gemini)

Terminou de preparar o almoço e já colocou arroz, feijão ou molho ainda fumegando diretamente naquele pote plástico que estava no armário?

O hábito é comum, principalmente para quem prepara marmitas ou organiza as sobras da semana, mas nem todo recipiente foi desenvolvido para receber alimentos em temperaturas elevadas. Vamos entender!

Nem todo pote plástico foi feito para receber comida quente

Existem recipientes plásticos desenvolvidos especificamente para contato com alimentos quentes, assim como existem embalagens destinadas apenas à conservação em temperatura ambiente, geladeira ou freezer. Essas condições de uso não são equivalentes.

Um recipiente desenvolvido apenas para guardar alimentos frios pode deformar, perder a vedação ou apresentar alterações quando recebe uma preparação recém-saída do fogo. Além de diminuir a vida útil do utensílio, usar o material fora das condições previstas pode favorecer uma migração maior de componentes para o alimento.

O calor pode aumentar a migração de substâncias

As embalagens destinadas ao contato com alimentos são regulamentadas justamente porque pequenas quantidades de componentes do material podem migrar para aquilo que será consumido. Existem limites e avaliações de segurança estabelecidos para as condições de uso previstas.

A temperatura é um dos fatores considerados nesses testes. Documentos técnicos em pesquisas usam diferentes temperaturas e tempos de exposição justamente para avaliar a migração em situações distintas de armazenamento e aquecimento.

Isso não significa que colocar uma refeição quente uma única vez em um pote plástico necessariamente provocará algum problema de saúde. Também não é correto afirmar que todos os recipientes liberam automaticamente "toxinas" quando aquecidos.

A recomendação mais segura e simples é outra: não utilizar um recipiente em temperaturas para as quais ele não foi projetado. Na dúvida, procure as informações do fabricante ou escolha materiais adequados para alimentos quentes.

Então é preciso esperar a comida esfriar completamente?

Aqui existe um cuidado importante. Deixar uma panela de comida horas sobre o fogão esperando chegar completamente à temperatura ambiente não é uma solução segura. 

Alimentos perecíveis não devem permanecer indefinidamente fora de refrigeração. A recomendação é refrigerar as sobras em até duas horas e orienta dividir grandes quantidades em recipientes menores e rasos para acelerar o resfriamento.

Na prática, se você acabou de preparar a comida e só possui potes plásticos cuja resistência ao calor desconhece, não precisa deixá-la esquecida sobre a bancada. Existem maneiras melhores de organizar o armazenamento.

Como guardar a comida quente com mais segurança

Se você costuma preparar refeições antecipadamente, alguns hábitos simples evitam tanto o uso inadequado dos potes quanto o resfriamento excessivamente lento da comida.

Faça assim:

  1. Divida grandes preparações em porções menores para que o calor seja eliminado mais rapidamente
  2. Prefira recipientes rasos em vez de colocar uma grande quantidade de comida ainda muito quente em um único pote profundo
  3. Use vidro, cerâmica ou outro recipiente apropriado para alimentos quentes quando não souber se o plástico suporta altas temperaturas
  4. Se usar plástico, confira se o fabricante indica que o recipiente é próprio para o tipo de uso pretendido
  5. Não deixe alimentos perecíveis sobre a bancada por mais de duas horas antes de refrigerar
  6. Antes de reutilizar um pote, verifique se existem deformações, rachaduras, partes derretidas ou dificuldades para encaixar a tampa

Uma dica é que pequenas quantidades de comida quente podem ir para a geladeira em recipientes rasos para resfriamento rápido. Portanto, aquela antiga ideia de que toda comida precisa chegar completamente à temperatura ambiente antes de ser refrigerada não é uma regra de segurança alimentar.

Vidro pode ser uma alternativa prática para a cozinha

Para quem prepara marmitas ou guarda sobras com frequência, recipientes de vidro adequados para alimentos quentes são uma alternativa bastante conveniente.

Eles facilitam a visualização da comida, não absorvem facilmente cheiro ou cor de molhos e permitem evitar a dúvida sobre a resistência térmica de um pote plástico comum.

Isso não significa que qualquer vidro possa sofrer mudanças bruscas de temperatura. É preciso verificar se o recipiente é apropriado para o uso desejado e evitar choques térmicos que possam provocar trincas ou quebras.

O mesmo cuidado vale para aquecer alimentos no micro-ondas. Se a embalagem plástica não tiver indicação de uso no aparelho, transfira a comida para um recipiente adequado antes de aquecer.

Cuidado no armazenamento! 

Não é necessário abandonar todos os recipientes plásticos da cozinha. O cuidado realmente importante é saber para que cada pote foi desenvolvido.

Quando a comida ainda estiver muito quente e você não tiver certeza da resistência do plástico, escolha um recipiente adequado, divida a preparação em porções menores e leve à geladeira dentro do período seguro.

Essa pequena mudança evita deformar utensílios, ajuda a conservar melhor as refeições e ainda elimina um erro bastante comum: achar que qualquer embalagem plástica pode receber qualquer alimento, em qualquer temperatura.

Se você ainda usa esse tipo de colher para fazer comida em casa, está prejudicando a sua saúde sem saber: as dicas de um neurocientista para escolher utensílios mais seguros na cozinha 

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