Julio Cesar, neurocientista: "O leite é ou não é inflamatório? Esse estudo avalia outros 52 estudos e o resultado foi que para a grande maioria das pessoas que não tem nenhum tipo de problema alérgico, o leite não é inflamatório"
Por  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

O mais sensato é observar a alimentação como um todo, investigar sintomas reais e evitar exclusões desnecessárias

Quem tem alergia precisa evitar o alimento, enquanto pessoas com intolerância podem necessitar apenas de ajustes na quantidade (Crédito: Shutterstock)

O leite passou a ocupar um lugar controverso nas discussões sobre alimentação. Enquanto algumas pessoas o consideram uma fonte importante de proteínas e cálcio, outras retiram todos os laticínios do cardápio por acreditarem que eles provocam inflamação.

Em um vídeo publicado no Instagram, Julio Cesar Luchmann, que se apresenta como fitoterapeuta clínico e neurocientista, chamou atenção para uma revisão científica sobre o tema e disse:

"O leite é ou não é inflamatório!? Esse estudo avaliou outros 52 estudos e o resultado foi que para a grande maioria das pessoas que não tem nenhum tipo de problema alérgico, o leite não é inflamatório”.

O que mostrou a revisão de 52 estudos sobre o leite?

O trabalho citado por Julio Cesar foi publicado na revista científica Critical Reviews in Food Science and Nutrition. Os pesquisadores analisaram 52 estudos clínicos realizados em humanos para verificar como o consumo de leite e derivados afetava marcadores de inflamação.

De maneira geral, os laticínios não apresentaram efeito pró-inflamatório em pessoas saudáveis. Os resultados também indicaram uma tendência neutra ou favorável entre participantes com alterações metabólicas, como obesidade e síndrome metabólica. A conclusão incluiu produtos integrais, com pouca gordura e fermentados.

Iogurte, kefir e queijo também entram nessa discussão

Os derivados fermentados despertam interesse porque passam pela ação de microrganismos que transformam parte de seus componentes. Iogurte, kefir e alguns queijos, por exemplo, possuem características diferentes do leite puro e podem ser mais bem tolerados por determinadas pessoas.

No vídeo, Julio afirma que "o resultado da pesquisa é bem interessante. Mostrou-se, na verdade, que são anti-inflamatórios" ao comentar alimentos fermentados.

Ainda assim, é mais prudente interpretar esses resultados como um possível efeito favorável dentro de uma alimentação equilibrada, e não como autorização para consumir qualquer quantidade.

Alergia ao leite não é a mesma coisa que intolerância à lactose

Boa parte da confusão surge porque diferentes reações ao leite são tratadas como se fossem um único problema. A alergia envolve o sistema imunológico e ocorre em resposta às proteínas do leite. Dependendo do caso, pode provocar manifestações na pele, no sistema digestivo e na respiração.

A intolerância à lactose é diferente. Ela acontece quando o organismo apresenta dificuldade para digerir a lactose, o açúcar natural do leite, devido à baixa produção da enzima lactase. Os sintomas costumam incluir gases, distensão abdominal, cólicas e diarreia. 

Algumas situações exigem atenção individual:

  • Pessoas com diagnóstico de alergia às proteínas do leite devem seguir a exclusão orientada pelo profissional de saúde
  • Quem apresenta intolerância pode tolerar pequenas porções, produtos sem lactose ou alguns derivados fermentados
  • Sintomas recorrentes após o consumo precisam ser investigados, em vez de atribuídos automaticamente à "inflamação"
  • Crianças não devem ter grupos alimentares retirados sem avaliação do pediatra ou nutricionista

Muitas pessoas com intolerância conseguem consumir determinadas quantidades de lactose sem apresentarem sintomas importantes. A tolerância varia e nem sempre é necessário eliminar completamente todos os laticínios.

Retirar o leite por conta própria pode desequilibrar a alimentação

Leite, iogurte e queijo são fontes de proteínas, cálcio e outros nutrientes. Isso não significa que sejam indispensáveis, pois uma alimentação sem laticínios pode ser nutricionalmente adequada. No entanto, a retirada precisa ser acompanhada de substituições capazes de fornecer os mesmos nutrientes.

Bebidas vegetais não são automaticamente equivalentes ao leite. Algumas possuem pouca proteína e só oferecem quantidades relevantes de cálcio e vitamina D quando são fortificadas. Por isso, é importante consultar o rótulo e evitar trocar o alimento apenas com base na aparência ou no uso culinário semelhante.

Afinal, o leite faz bem ou faz mal?

Não existe uma resposta igual para todas as pessoas. Quem tem alergia precisa evitar o alimento, enquanto pessoas com intolerância podem necessitar apenas de ajustes na quantidade ou da escolha de versões sem lactose. Para quem consome leite sem sintomas, não há evidência suficiente para retirá-lo apenas por medo de inflamação.

Como saber se o leite azedou? Nutricionista dá conselho CERTEIRO!

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