Hoje parece completamente normal abrir o congelador e encontrar essa carne
Hoje o frango está em praticamente todo lugar. Vai do almoço de domingo ao estrogonofe, passa pela coxinha, pelo sanduíche e por receitas simples do dia a dia. É uma proteína acessível, versátil e encontrada com facilidade em supermercados de diferentes países.
Mas nem sempre foi assim. Durante boa parte do século XX, a carne de frango era relativamente cara e não estava disponível para todas as famílias. A grande transformação aconteceu com a industrialização da produção e o desenvolvimento de aves criadas especificamente para fornecer carne.
O frango já foi muito menos comum nas refeições
Durante décadas, muitas galinhas eram criadas principalmente para a produção de ovos. A carne não ocupava o mesmo espaço que possui atualmente, e o frango ainda estava longe de competir com a carne bovina e a suína em volume e popularidade.
A carne bovina carregava prestígio em vários mercados, enquanto a produção de porco já alcançava grande escala. O frango, por outro lado, tinha ciclos de criação menos eficientes e chegava ao consumidor por preços proporcionalmente mais altos.
Isso começou a mudar quando a produção passou a selecionar aves especificamente para carne. Melhoramento genético, alimentação mais eficiente e novas técnicas de criação reduziram significativamente o tempo necessário para que os animais atingissem o peso de abate.
O que fez o frango ficar mais barato?
A mudança não aconteceu por causa de um único avanço. Foi o resultado da combinação de diferentes transformações na cadeia produtiva ao longo do século XX. Entre os principais fatores estão:
- Desenvolvimento de aves com crescimento mais rápido
- Melhor aproveitamento da alimentação fornecida aos animais
- Redução do tempo necessário para cada ciclo de produção
- Expansão das granjas especializadas
- Avanços no processamento e na refrigeração
- Melhoria da logística para distribuir carne em grande escala
Quando o mesmo espaço passou a produzir mais carne em menos tempo, o custo por unidade também caiu. Aos poucos, aquilo que poderia ser uma proteína reservada para determinadas ocasiões começou a aparecer com muito mais frequência nas refeições comuns.
Os Estados Unidos ajudaram a criar o modelo industrial e o Brasil se tornou potência mundial
Os Estados Unidos foram pioneiros na produção industrial de frango em grande escala, com criação especializada, maior padronização e novas formas de distribuição. Esse modelo se espalhou por outros países e ajudou a popularizar também a venda de cortes separados, como peito, coxa, sobrecoxa e asa.
Hoje, o Brasil é um dos grandes protagonistas desse mercado e lidera as exportações mundiais de carne de frango. Segundo o Financial Times, o país passou de cerca de 910 mil toneladas exportadas em 2000 para aproximadamente 4,9 milhões de toneladas em 2024, reflexo da enorme expansão da produção nacional.
O mundo continua comendo cada vez mais frango
A transformação ainda está acontecendo. De acordo com a análise do Financial Times, a produção mundial de frango cresceu aproximadamente 2% a 2,5% ao ano nas últimas duas décadas. Nos anos mais recentes, esse ritmo teria ultrapassado 3%.
Os números ajudam a visualizar a dimensão desse mercado. A quantidade de frangos produzidos no mundo teria passado de cerca de 48,3 bilhões em 2006 para 76,2 bilhões em 2023.
Em 2022, o volume de carne de frango também teria ultrapassado o de carne suína, consolidando uma inversão histórica no mercado global.
De produto caro a ingrediente cotidiano
Hoje parece completamente normal abrir o congelador e encontrar peito, coxa ou filé de frango. Mas essa facilidade é resultado de uma transformação gigantesca na produção de alimentos e ajuda a explicar como uma carne que nem todos conseguiam comprar virou presença constante em cozinhas do mundo inteiro.
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