Farmacêutica explica: o que o colágeno realmente pode fazer e o que ainda é apenas marketing
Por  Jéssica Antunes  | Redatora

Jornalista apaixonada pelo universo gastronômico. Aprendi a cozinhar de verdade (com panela de pressão e tudo) depois de sair da casa dos meus pais para estudar. Desde então, amo experimentar sabores, conhecer novas culinárias e me arriscar em receitas diferentes.

Antes de acreditar em qualquer promessa milagrosa, vale separar o que a ciência já confirmou do que ainda é só discurso publicitário

Nem toda promessa de frasco tem o mesmo respaldo científico por trás. (Foto: reprodução @dozafarmaceuta e Canva)

O colágeno virou um dos suplementos mais populares dos últimos anos, prometido para quase tudo: pele mais firme, menos celulite, cabelo mais forte e articulações sem dor. Para separar o que tem respaldo científico do que é apenas marketing, a farmacêutica Marija Milić, do perfil Doza Farmaceuta, analisou quatro dessas promessas à luz das evidências disponíveis, do mesmo jeito que ajuda a conhecer os benefícios reais de consumir colágeno em alimentos do dia a dia. A seguir, veja o que ela concluiu sobre cada uma dessas alegações.

Colágeno e rugas: promessa geralmente justificada

Essa é uma das poucas alegações que resistem bem à análise científica. Estudos mostram melhora na elasticidade e na hidratação da pele depois de 8 a 12 semanas de uso contínuo de colágeno, o que em alguns casos torna linhas finas de expressão menos visíveis. Segundo Marija Milić, o resultado varia conforme a dose usada, o tempo de consumo e fatores individuais, como genética, exposição ao sol e idade, o que explica por que o efeito não é igual para todo mundo.

Colágeno e celulite: poucas evidências

A lógica por trás dessa promessa parece fazer sentido: se o colágeno melhora a elasticidade da pele, também poderia amenizar a aparência da celulite. As evidências aqui, porém, são bem mais fracas, com poucos estudos mostrando melhora leve e inconsistente. A celulite depende principalmente da estrutura do tecido, de fatores hormonais e da genética, o que faz o colágeno ter um impacto mínimo nesse caso.

Colágeno e queda de cabelo: alegação incorreta

É comum encontrar suplementos para cabelo que trazem colágeno na fórmula, o que dá a impressão de que o ingrediente ajuda a conter a queda. Segundo a análise da farmacêutica, não existem evidências de qualidade que comprovem esse efeito em pessoas saudáveis. A queda de cabelo tem causas variadas, como genética, alterações hormonais e deficiência de ferro, fatores que o colágeno não é capaz de resolver sozinho. O mesmo tipo de checagem vale para outras fontes divulgadas por aí, como quando se pergunta se o pé de galinha é mesmo rico em colágeno e o que é mito ou verdade nessa fama toda.

 

Entender a evidência por trás de um suplemento ajuda a fazer escolhas mais conscientes. (Foto: Canva)

Colágeno e dores nas articulações: evidências presentes

Entre as quatro promessas analisadas, essa é a que reúne mais respaldo. Estudos com peptídeos específicos de colágeno mostram redução da dor em atletas e em pessoas com osteoartrite leve. Ainda assim, o efeito não é universal e não substitui terapias médicas indicadas por um profissional, funcionando mais como um complemento do que como tratamento isolado.

Como escolher com base em evidência, não em propaganda

Para a farmacêutica, a pergunta mais importante não é qual colágeno comprar, mas se existe evidência de qualidade por trás do que o produto promete. Quem quer testar de um jeito simples também pode recorrer a uma combinação caseira de colágeno feita com poucos ingredientes.

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