Estudo sugere que adoçantes artificiais podem afetar o metabolismo e gerar efeitos que passam para outras gerações
Por  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

Estudo feito com camundongos encontrou alterações metabólicas que apareceram também nos descendentes.

Estudo investigou os efeitos da sucralose e da estévia no metabolismo de camundongos. (créditos: Shutterstock)

Usados por muitas pessoas como alternativa ao açúcar, os adoçantes podem ter efeitos no organismo que ainda não são totalmente conhecidos. Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade do Chile encontrou alterações metabólicas em camundongos após o consumo de sucralose e estévia. Mais do que isso, alguns dos efeitos observados apareceram também em seus descendentes.

O estudo foi publicado na revista Frontiers in Nutrition e acompanhou os animais por duas gerações. Os pesquisadores avaliaram a tolerância à glicose, o microbioma intestinal e a expressão de genes relacionados ao metabolismo e à inflamação.

Estudo investigou os efeitos da sucralose e da estévia no metabolismo de camundongos

Para realizar o experimento, 47 camundongos receberam água pura ou água com sucralose ou estévia. As doses utilizadas eram comparáveis ao consumo que poderia ocorrer em uma alimentação habitual. Depois, os animais foram reproduzidos, enquanto seus filhotes e netos receberam apenas água.

Na primeira geração, os machos descendentes dos animais que consumiram sucralose apresentaram pior tolerância à glicose. Na geração seguinte, alterações na glicemia também foram observadas em machos ligados ao grupo da sucralose e em fêmeas descendentes do grupo que recebeu estévia.

Os dois adoçantes também modificaram o ambiente intestinal. Houve redução na produção de algumas substâncias benéficas pelas bactérias do intestino, e essas alterações permaneceram nos descendentes.

A sucralose apresentou os efeitos mais intensos e duradouros. O adoçante esteve associado a mudanças em bactérias intestinais e na expressão de genes relacionados à inflamação e ao metabolismo, com alterações observadas por duas gerações. 

No caso da estévia, os efeitos foram mais leves e não persistiram pelo mesmo período. 

Isso significa que adoçantes fazem mal aos humanos?

Não necessariamente. O resultado chama atenção, mas ainda não permite afirmar que o consumo de adoçantes provoque os mesmos efeitos em pessoas.

A própria autora principal do trabalho, Dra. Francisca Concha Celume, destaca que os resultados precisam ser interpretados com cautela. Segundo ela, o aumento do consumo de adoçantes ao mesmo tempo em que obesidade e alterações metabólicas continuam crescendo é uma questão que merece investigação, mas isso não significa que essas substâncias sejam responsáveis por essas tendências.

“O objetivo desta pesquisa não é criar alarme, mas destacar a necessidade de investigações adicionais”, afirma a pesquisadora.

Como a pesquisa foi feita em camundongos, ainda são necessários estudos em humanos para descobrir se alterações semelhantes podem ocorrer e qual seria a relevância delas para a saúde.

Por enquanto, o estudo serve principalmente como um sinal para que os efeitos de longo prazo dos adoçantes sejam investigados com mais profundidade. Até que existam evidências em humanos, não é possível dizer que o consumo de sucralose ou estévia provoque alterações metabólicas que sejam transmitidas para filhos e netos.

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