Abriram uma lata de salmão vencida há 50 anos e o que acharam deixou cientistas surpresos: "É um sinal de que o peixe vem de um ecossistema saudável"
Por  Jéssica Antunes  | Redatora

Jornalista apaixonada pelo universo gastronômico. Aprendi a cozinhar de verdade (com panela de pressão e tudo) depois de sair da casa dos meus pais para estudar. Desde então, amo experimentar sabores, conhecer novas culinárias e me arriscar em receitas diferentes.

A análise de mais de 170 latas antigas revelou a presença de parasitas marinhos que servem como um excelente indicador biológico sobre o equilíbrio dos oceanos

Cientistas em laboratório analisaram amostras biológicas de latas de salmão. (Foto: Canva)

Quando um produto enlatado passa do prazo de validade, o comportamento padrão é descartá-lo imediatamente. No entanto, para a comunidade científica, essas embalagens esquecidas no fundo da despensa podem se transformar em uma valiosa fonte de informações históricas e ambientais. Quer entender o que os pesquisadores descobriram ao abrir uma lata de salmão com cinco décadas de fabricação? Acompanhe a leitura e surpreenda-se com o resultado desse estudo.

O que os cientistas encontraram na lata de salmão?

Pesquisadores da Universidade de Washington realizaram um estudo detalhado analisando mais de 170 unidades de salmão enlatado, processadas entre os anos de 1979 e 2021. O objetivo principal era investigar as condições ambientais das regiões de origem desses peixes ao longo das décadas.

Ao abrirem as latas mais antigas, os cientistas encontraram anisaquídeos, que são parasitas marinhos comuns, perfeitamente preservados pelo processo de enlatamento. Longe de ser um motivo de alarme ou sinal de contaminação prejudicial, a descoberta foi celebrada pela equipe como uma chave essencial para compreender a evolução e a proteção do salmão do Alasca e de todo o seu habitat.

Peixes enlatados, como o salmão, são opções práticas de refeição. (Foto: Canva)

Por que a presença de parasitas é um sinal positivo?

De acordo com os especialistas envolvidos na pesquisa, a presença desses organismos funciona como um excelente indicador ecológico. Os anisaquídeos dependem de uma cadeia alimentar complexa e ativa para completar o seu ciclo de vida: eles começam sendo ingeridos pelo krill (pequenos crustáceos), que depois serve de alimento para espécies maiores como o salmão, terminando o ciclo no sistema digestivo de grandes mamíferos marinhos.

Portanto, encontrar esses parasitas em abundância comprova que todas as etapas dessa teia alimentar estavam coexistindo de forma equilibrada. Os dados coletados apontaram, inclusive, um aumento na presença desses organismos ao longo dos anos, sugerindo que o ecossistema marinho da região se manteve estável ou em processo de recuperação, impulsionado também pelo crescimento das populações de mamíferos marinhos e por alterações climáticas.

Os cuidados com os parasitas e a segurança alimentar

Embora esses seres minúsculos desempenhem um papel fundamental no equilíbrio dos oceanos, o consumo de peixes crus ou mal cozidos contaminados por parasitas ativos pode causar sérios problemas à saúde humana, como intoxicações alimentares severas. Para garantir o consumo seguro de pescados na cozinha, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e especialistas recomendam a aplicação de medidas preventivas térmicas eficazes:

Cozimento completo: O peixe deve ser cozido ou grelhado atingindo uma temperatura interna de pelo menos 60°C por, no mínimo, um minuto.

Congelamento prévio: Se a intenção for consumir o peixe cru (como em pratos da culinária japonesa), em conserva ou salgado, o filé deve ser congelado previamente a temperaturas muito baixas por um período mínimo de cinco dias para neutralizar qualquer organismo.

No caso específico dos peixes enlatados industrialmente, como as sardinhas, o atum e o próprio salmão, os consumidores não precisam se preocupar com esse processo. Durante a etapa de industrialização, as latas fechadas passam por um cozimento sob alta pressão e temperatura, um procedimento que elimina completamente qualquer atividade biológica e torna o alimento totalmente seguro e pronto para o consumo direto.

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