Muitos designers de interiores estão retomando alguns aspectos do estilo dos anos 90 para a decoração contemporânea (Créditos: Imagem gerada com IA)
Tudo indica que o charme das casas de antigamente está voltando – mas com uma cara bem mais atual. A decoração contemporânea vem resgatando elementos que fizeram sucesso nos anos 1990 e até antes desse período, combinando aconchego, personalidade e materiais naturais com peças modernas.
Entre as tendências que estão ganhando espaço novamente, uma chama atenção justamente por lembrar a casa das avós: as paredes decoradas com pratos. O que durante anos pareceu ultrapassado agora pode se transformar em uma espécie de galeria afetiva.
Pratos na parede estão de volta (e podem ficar muito charmosos)
Por muito tempo, aqueles pratos decorativos pendurados na parede ficaram associados às casas das avós, especialmente em cozinhas, salas de jantar e corredores. A moda, porém, está reaparecendo no design de interiores, só que com uma proposta menos previsível.
A ideia não é escolher um conjunto de pratos iguais e espalhá-los pela parede. O charme está justamente em criar uma composição com peças de diferentes tamanhos, formatos, cores e estampas, como se aquela coleção tivesse sido construída aos poucos.
Cerâmicas artesanais, pratos vintage, peças de viagens e modelos com desenhos interessantes podem conviver no mesmo espaço. O resultado se aproxima de uma galeria tridimensional, capaz de deixar a decoração mais pessoal e menos "pronta".
Também não é necessário ocupar uma parede inteira. Um conjunto menor sobre um aparador, na sala de jantar, no corredor ou até em um cantinho da cozinha já pode fazer bastante diferença na decoração do espaço.
Madeira quente também está reconquistando espaço
Depois de uma longa fase dominada pelo branco, pelo cinza e pelo minimalismo, a madeira voltou a aparecer com força nos projetos de interiores. Mas não se trata de reproduzir exatamente aquela estética pesada tão comum nos anos 1990.
Hoje, a preferência está em acabamentos mais naturais e suaves, como carvalho e freijó, além de madeiras com aparência menos brilhante. Armários, mesas, painéis e pequenos detalhes são suficientes para acrescentar uma sensação de aconchego ao ambiente.
Além disso, a madeira também ajuda a quebrar a frieza de espaços muito neutros sem comprometer uma decoração contemporânea.
Sofás enormes voltaram a ser desejáveis
Durante alguns anos, muitas casas priorizaram móveis de linhas retas e aparência minimalista. Agora, o conforto começa a recuperar seu protagonismo.
Sofás maiores, profundos, macios e com formas arredondadas estão novamente em alta. Poltronas confortáveis, com braços mais volumosos, seguem a mesma proposta: a sala precisa ser bonita, mas também deve convidar a sentar, descansar e passar horas ali.
Para atualizar a tendência, basta combinar um sofá mais robusto com mesa de centro de desenho simples, iluminação contemporânea e poucos acessórios.
Papel de parede deixou de ser coisa do passado
Outro velho conhecido das casas das décadas passadas também ganhou uma nova vida: o papel de parede. A diferença é que ele deixou de ser usado apenas para cobrir as quatro paredes de um cômodo. Hoje, pode aparecer em uma única parede, em pequenos ambientes e até no teto, criando um efeito bastante marcante.
Estampas botânicas, geométricas, texturas e desenhos mais discretos permitem mudar completamente a atmosfera de um espaço sem a necessidade de uma grande reforma. Uma dica interessante é retirar uma das cores presentes no papel e repeti-la em portas, molduras ou outros detalhes da decoração. Assim, o ambiente fica mais integrado e planejado.
Adeus, cinza: os tons quentes estão em alta
A paleta extremamente neutra que dominou a decoração por anos começa a dividir espaço com cores mais acolhedoras. Terracota, creme, amarelo quente, verde-sálvia, rosa queimado e outros tons terrosos ajudam a deixar a casa mais convidativa.
Isso não significa transformar o ambiente em um festival de cores. Uma parede, uma poltrona, uma cortina ou alguns objetos já podem ser suficientes. E a combinação também pode fugir do óbvio. Tons terrosos ficam interessantes ao lado de neutros, enquanto amarelos quentes podem ganhar contraste com azul mais intenso.
Mas nem tudo dos anos 90 precisa voltar
Embora a nostalgia seja ótima para a decoração, isso não significa que é preciso "ressuscitar" cada tendência que fez sucesso anteriormente. Algumas escolhas podem continuar no passado.
A madeira excessivamente brilhante, por exemplo, pode dar um aspecto pesado ao ambiente. Para um estilo mais atual, acabamentos foscos ou discretos valorizam mais a aparência natural do material.
Já os famosos babados e franzidos nos móveis também podem ser deixados de lado. O conforto dos sofás grandes continua interessante, mas com tecidos lisos, formas bem desenhadas e detalhes mais simples.
Outro elemento que envelheceu mal são as faixas decorativas de papel de parede colocadas no alto das paredes. Para fazer uma transição entre diferentes áreas, pintura, molduras ou uma cor retirada da própria estampa costumam produzir um resultado mais elegante.
E há ainda o chamado estilo "falso Toscana", com excesso de referências rústicas, cores intensas e elementos que transformavam a casa quase em um restaurante italiano temático. A inspiração mediterrânea continua funcionando, mas de maneira mais leve, com materiais naturais, pedra, madeira e tons terrosos usados com equilíbrio.