O que acontece com os nutrientes durante o processo de conservação pode surpreender. Entenda qual é a diferença entre as duas opções.
Eu sempre ficava em dúvida entre o que escolher no mercado: alimentos congelados ou enlatados? Mas, quando fui entender o que acontece com os nutrientes durante os diferentes processos de conservação, descobri que a diferença não é tão simples quanto parece.
Congelados conseguem preservar muitos nutrientes
No caso dos vegetais e frutas congelados, o processo costuma acontecer poucas horas depois da colheita. A baixa temperatura reduz a velocidade das reações que provocam a perda de nutrientes, fazendo com que vitaminas e minerais sejam preservados por mais tempo.
Uma pesquisa realizada na Universidade de Hamburgo comparou o teor de vitamina C de ervilhas armazenadas em diferentes condições. Enquanto as ervilhas cruas apresentaram uma queda significativa da vitamina depois de alguns dias a 20 °C, as versões congeladas mantiveram níveis consideravelmente mais altos durante mais de um ano.
A temperatura também faz diferença: no estudo, a vitamina C apresentou maior estabilidade a -25 °C do que a -18 °C.
Outro ponto positivo é que frutas e vegetais congelados não precisam necessariamente de conservantes. Isso, claro, não significa que todos os produtos encontrados no freezer sejam equivalentes: refeições prontas congeladas podem conter sal, açúcar, gorduras e outros ingredientes adicionados.
O que acontece com os alimentos enlatados?
O cenário muda quando falamos de alimentos enlatados. Para aumentar a durabilidade, frutas e vegetais passam por um tratamento térmico que elimina microrganismos e inativa enzimas. O procedimento ajuda a conservar os alimentos, mas também pode provocar a perda de algumas vitaminas sensíveis ao calor.
Além disso, dependendo do produto, podem ser adicionados água, açúcar, ácidos, temperos e outros ingredientes. Por isso, olhar a lista de ingredientes e a tabela nutricional continua sendo importante na hora da compra.
As embalagens também entram nessa discussão. Latas costumam ser produzidas com materiais como alumínio ou folha de flandres e recebem revestimentos internos para evitar o contato direto entre o alimento e o metal.
O BPA (bisfenol A) também aparece nesse contexto. Na União Europeia, seu uso em materiais que entram em contato com alimentos foi proibido em 2026, embora determinados produtos tenham períodos de transição mais longos para adaptação às novas regras.
E qual deles causa menos impacto no meio ambiente?
Eu imaginava que o congelamento necessariamente teria um impacto ambiental maior por exigir energia tanto na indústria quanto durante o armazenamento doméstico, mas a comparação depende de vários fatores.
Um estudo do Instituto de Ecologia Aplicada de Freiburg analisou diferentes alimentos e encontrou resultados próximos entre versões congeladas e enlatadas em determinados casos. No exemplo das ervilhas, as enlatadas apresentaram uma pegada de carbono menor, enquanto as congeladas ficaram em uma posição intermediária.
Mas não é só a embalagem ou o método de conservação que determina o impacto. O tempo que o alimento permanece no congelador, o consumo de energia da geladeira, o transporte, a forma de preparo e até os deslocamentos para fazer compras podem alterar o resultado.
Segundo o estudo, no caso das ervilhas, os hábitos do consumidor podem responder por uma parcela significativa da pegada climática. Por isso, não dá para dizer que todo alimento congelado é necessariamente pior para o meio ambiente do que sua versão enlatada.
No fim, minha conclusão foi diferente daquela que eu tinha quando colocava os produtos no carrinho: congelado não significa automaticamente menos saudável ou mais prejudicial ao planeta. Para frutas e vegetais, o congelamento pode preservar muito bem determinados nutrientes, enquanto a escolha entre congelados e enlatados também deve levar em conta ingredientes adicionados, embalagem, armazenamento e a forma como o produto será consumido.
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