Quanto do seu mês vai só para comida? Pesquisa revela as capitais onde mais se trabalha para pagar a cesta básica
Por  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

Pesquisa mostra que metade do salário dos brasileiros vai só para comida.

Em algumas capitais, são mais de 100 horas de trabalho só para pagar a cesta básica. (créditos: Shutterstock)

Já pensou trabalhar quase metade do mês só para garantir o básico na mesa? Pois essa é a realidade de muitos brasileiros. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), revelam quantas horas por mês um trabalhador precisa dedicar apenas para comprar os itens essenciais da alimentação.

E em algumas capitais, o tempo necessário passa fácil das 100 horas.

As capitais onde mais se trabalha para comer

No topo do ranking está São Paulo. Por lá, são necessárias nada menos que 115 horas e 45 minutos de trabalho por mês só para garantir a cesta básica. Logo atrás aparecem Rio de Janeiro (112h14) e Florianópolis (108h14).

Na prática, isso significa que quase metade do mês de trabalho vai embora apenas com alimentação, antes mesmo de considerar gastos como aluguel, transporte e contas básicas.

O peso da comida no bolso dos brasileiros

Não é só o tempo que chama atenção. O impacto no salário também pesa. De acordo com o levantamento, em fevereiro, um trabalhador que recebe salário mínimo precisou gastar, em média, 46,13% da renda líquida apenas com a cesta básica nas 27 capitais analisadas.

Esse cálculo já considera o desconto da Previdência, ou seja, mostra o valor real disponível no bolso. E São Paulo, mais uma vez, lidera. De acordo com os dados, cerca de 56,88% do salário mínimo da população da cidade é comprometido só com alimentação básica.

Veja o ranking completo por capital

Tempo de trabalho necessário para comprar a cesta básica:

  1. São Paulo — 115h45
  2. Rio de Janeiro — 112h14
  3. Florianópolis — 108h14
  4. Cuiabá — 107h44
  5. Porto Alegre — 106h47
  6. Campo Grande — 105h54
  7. Vitória — 102h37
  8. Curitiba — 101h11
  9. Belo Horizonte — 100h01
  10. Goiânia — 99h16
  11. Brasília — 96h38
  12. Palmas — 94h22
  13. Fortaleza — 94h03
  14. Belém — 91h29
  15. Macapá — 89h41
  16. Boa Vista — 89h28
  17. Teresina — 88h02
  18. Rio Branco — 85h45
  19. São Luís — 85h30
  20. Manaus — 85h21
  21. João Pessoa — 83h58
  22. Salvador — 83h52
  23. Natal — 83h43
  24. Recife — 83h04
  25. Maceió — 81h58
  26. Porto Velho — 81h40
  27. Aracaju — 76h23

 Salário mínimo ainda está longe do ideal

O estudo também traz uma estimativa que ajuda a colocar tudo em perspectiva. Para cobrir despesas básicas de uma família, incluindo alimentação, moradia e outros custos essenciais, o salário mínimo ideal deveria ter sido de R$ 7.164,94 em fevereiro.

Hoje, o piso nacional está fixado em R$ 1.621, ou seja, cerca de quatro vezes menor do que o necessário.

Comer bem virou um desafio

Mais do que números, os dados escancaram como o custo de vida segue pressionando o orçamento, especialmente quando o assunto é comida.

E como a cesta básica reúne itens essenciais do dia a dia, qualquer aumento pesa direto no prato e no bolso. Para muitos brasileiros, garantir o básico já exige esforço e tempo demais.

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