Pesquisa mostra que metade do salário dos brasileiros vai só para comida.
Já pensou trabalhar quase metade do mês só para garantir o básico na mesa? Pois essa é a realidade de muitos brasileiros. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), revelam quantas horas por mês um trabalhador precisa dedicar apenas para comprar os itens essenciais da alimentação.
E em algumas capitais, o tempo necessário passa fácil das 100 horas.
As capitais onde mais se trabalha para comer
No topo do ranking está São Paulo. Por lá, são necessárias nada menos que 115 horas e 45 minutos de trabalho por mês só para garantir a cesta básica. Logo atrás aparecem Rio de Janeiro (112h14) e Florianópolis (108h14).
Na prática, isso significa que quase metade do mês de trabalho vai embora apenas com alimentação, antes mesmo de considerar gastos como aluguel, transporte e contas básicas.
O peso da comida no bolso dos brasileiros
Não é só o tempo que chama atenção. O impacto no salário também pesa. De acordo com o levantamento, em fevereiro, um trabalhador que recebe salário mínimo precisou gastar, em média, 46,13% da renda líquida apenas com a cesta básica nas 27 capitais analisadas.
Esse cálculo já considera o desconto da Previdência, ou seja, mostra o valor real disponível no bolso. E São Paulo, mais uma vez, lidera. De acordo com os dados, cerca de 56,88% do salário mínimo da população da cidade é comprometido só com alimentação básica.
Veja o ranking completo por capital
Tempo de trabalho necessário para comprar a cesta básica:
- São Paulo — 115h45
- Rio de Janeiro — 112h14
- Florianópolis — 108h14
- Cuiabá — 107h44
- Porto Alegre — 106h47
- Campo Grande — 105h54
- Vitória — 102h37
- Curitiba — 101h11
- Belo Horizonte — 100h01
- Goiânia — 99h16
- Brasília — 96h38
- Palmas — 94h22
- Fortaleza — 94h03
- Belém — 91h29
- Macapá — 89h41
- Boa Vista — 89h28
- Teresina — 88h02
- Rio Branco — 85h45
- São Luís — 85h30
- Manaus — 85h21
- João Pessoa — 83h58
- Salvador — 83h52
- Natal — 83h43
- Recife — 83h04
- Maceió — 81h58
- Porto Velho — 81h40
- Aracaju — 76h23
Salário mínimo ainda está longe do ideal
O estudo também traz uma estimativa que ajuda a colocar tudo em perspectiva. Para cobrir despesas básicas de uma família, incluindo alimentação, moradia e outros custos essenciais, o salário mínimo ideal deveria ter sido de R$ 7.164,94 em fevereiro.
Hoje, o piso nacional está fixado em R$ 1.621, ou seja, cerca de quatro vezes menor do que o necessário.
Comer bem virou um desafio
Mais do que números, os dados escancaram como o custo de vida segue pressionando o orçamento, especialmente quando o assunto é comida.
E como a cesta básica reúne itens essenciais do dia a dia, qualquer aumento pesa direto no prato e no bolso. Para muitos brasileiros, garantir o básico já exige esforço e tempo demais.