Nem açúcar, nem cenoura, nem beterraba: como tirar a acidez do molho de tomate com duas coisas muito simples que poucos sabem, segundo essa chef de cozinha
Por  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

Açúcar, cenoura e beterraba podem até mudar o sabor do molho, mas não substituem uma boa base

A dica da chef mostra que cozinhar bem não é complicar a receita, mas entender cada etapa (Crédito: Shutterstock)

O molho de tomate caseiro parece simples, mas é uma daquelas receitas em que a técnica muda tudo. Quando fica ácido demais, muita gente tenta corrigir no improviso: coloca açúcar, cenoura, beterraba ou até bicarbonato para “consertar” o sabor. O problema é que nem sempre isso resolve a causa.

Muitas vezes, apenas mascara o desequilíbrio e deixa o molho doce, pesado ou sem profundidade. A chef Maria Cândida explicou em vídeo no Instagram que o caminho para um molho mais equilibrado não começa na correção final, mas na escolha do tomate e no tempo de cozimento.

Como ela resume, “acidez não é um defeito”. Na gastronomia, ela ajuda a trazer frescor, equilíbrio e complexidade. O problema aparece quando essa acidez domina tudo e rouba o sabor do molho... 

O segredo está no tomate certo e no tempo de panela

Segundo Maria Cândida, o bicarbonato até neutraliza quimicamente a acidez, mas isso não significa que o sabor fique melhor. A chef é direta ao explicar: “Neutralizar não é melhorar o sabor. É como abaixar o volume, sem melhorar a música”. Por isso, na cozinha dela, o molho de tomate não leva bicarbonato.

As duas técnicas principais são bem simples:

  1. Usar tomate italiano bem maduro
  2. Cozinhar o molho lentamente

O tomate maduro tende a ser naturalmente mais doce e menos agressivo, enquanto o cozimento demorado concentra sabor, reduz água, integra aromas e transforma o molho em uma base mais encorpada. É esse processo que faz diferença, não uma colher de açúcar jogada no final. 

Ingredientes 

  • 1 kg de tomate italiano bem maduro
  • 2 a 3 dentes de alho inteiros
  • 1 fio generoso de azeite
  • Sal a gosto
  • Folhas de manjericão fresco a gosto

Modo de preparo

  1. Lave bem os tomates italianos maduros, mantenha a pele e as sementes e acomode todos em uma assadeira grande
  2. Leve os tomates ao forno preaquecido a 180 °C por cerca de 45 minutos, até ficarem macios, levemente murchos e com o sabor mais concentrado
  3. Retire os tomates do forno, transfira para o liquidificador e bata até formar um molho liso
  4. Passe o molho por uma peneira fina se quiser uma textura mais delicada, ou pule essa etapa se preferir um molho mais rústico
  5. Aqueça uma panela com azeite, adicione os dentes de alho inteiros e deixe que liberem aroma sem queimar
  6. Despeje o tomate batido na panela, acrescente sal e misture bem
  7. Coloque as folhas de manjericão inteiras para aromatizar o molho durante o cozimento
  8. Abaixe o fogo e cozinhe lentamente por cerca de 1 hora, mexendo de vez em quando para não grudar no fundo
  9. Retire os dentes de alho e as folhas de manjericão quando o molho estiver encorpado, denso e aromático
  10. Use o molho em massas, lasanhas, pizzas, carnes, almôndegas ou como base para outros preparos

Por que tomate maduro faz tanta diferença 

O tomate é o protagonista do molho, então não adianta esperar um resultado incrível com um ingrediente sem sabor. Tomates verdes, duros ou pouco maduros tendem a entregar mais acidez e menos doçura natural. Já o tomate italiano bem maduro tem polpa mais carnuda, menos água e sabor mais concentrado.

Assar os tomates antes de bater também ajuda. O calor do forno reduz parte da umidade, intensifica os açúcares naturais e cria uma base mais saborosa. Esse passo não é obrigatório em toda receita de molho, mas é um excelente truque para quem quer fugir daquele resultado aguado e ácido. 

O cozimento lento é o que transforma o molho

A segunda técnica destacada por Maria Cândida é o tempo de cocção. Como ela diz no vídeo, “Um molho de tomate incrível não se faz em 5 minutos”. Esse tempo no fogo baixo permite que a acidez fique mais integrada, que o molho reduza e que os sabores do alho, do azeite e do manjericão se espalhem de forma mais harmoniosa.

O cozimento lento também muda a textura. No começo, o molho pode parecer líquido demais, mas depois de reduzir ele ganha corpo, brilho e aroma. É nesse ponto que a acidez deixa de parecer agressiva e passa a fazer parte do equilíbrio natural do tomate.

Molho bom sem atalhos 

Açúcar, cenoura e beterraba podem até mudar o sabor do molho, mas não substituem uma boa base. O molho de tomate equilibrado começa na feira ou no mercado, com tomates maduros, e termina na panela, com fogo baixo e paciência. Faça em casa!

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