Batatas fritas podem ficar crocantes com menos gordura graças a uma tecnologia que combina fritura tradicional e micro-ondas, reduzindo a absorção de óleo
As batatas fritas são um dos alimentos mais populares do mundo, mas também estão entre os que mais absorvem óleo durante o preparo. Essa característica aumenta o teor de gordura e calorias do alimento, o que faz muita gente buscar alternativas mais leves sem abrir mão da textura crocante.
Agora, pesquisadores da Universidade de Illinois estudam uma tecnologia que pode reduzir a absorção de óleo mantendo o sabor e a crocância das batatas. O estudo foi divulgado pelo ScienceDaily e aponta resultados promissores para a indústria alimentícia.
Como o óleo entra na batata durante a fritura?
Segundo o pesquisador Pawan Singh Takhar, professor de engenharia de alimentos da Universidade de Illinois, o processo de fritura envolve mudanças físicas complexas. No início, os poros da batata estão cheios de água, o que dificulta a entrada do óleo. Conforme a temperatura aumenta, a água vira vapor e deixa espaços vazios no interior do alimento.
É nesse momento que o óleo passa a penetrar na batata. Takhar compara o fenômeno ao funcionamento de um canudo: quando a pressão interna se torna negativa, o óleo é “puxado” para dentro da polpa. O estudo mostrou que cerca de 90% do tempo de fritura ocorre sob essa condição de pressão negativa, favorecendo a absorção de gordura.
O que o micro-ondas muda na batata frita?
A proposta dos pesquisadores é usar a energia de micro-ondas durante a fritura. Diferentemente do aquecimento convencional, o micro-ondas aquece a água diretamente no interior da batata, gerando mais vapor e aumentando a pressão interna. Com isso, diminui a tendência de o óleo entrar na polpa.
Os testes mostraram que essa combinação acelera a evaporação da umidade, reduz o tempo de preparo e diminui a quantidade de óleo absorvida pelas batatas.
Por que fritar apenas no micro-ondas não funciona?
Apesar da redução de gordura, as batatas preparadas somente com micro-ondas ficaram macias e sem a crosta crocante característica da fritura tradicional. Por isso, os pesquisadores defendem um sistema híbrido: o óleo quente forma a camada externa crocante, enquanto o micro-ondas acelera a saída da umidade e limita a entrada de gordura.
Essa combinação foi a que apresentou o melhor equilíbrio entre textura, sabor e menor teor de óleo.
A tecnologia pode chegar às fábricas?
Os pesquisadores acreditam que sim. Segundo a equipe, as fritadeiras industriais já utilizadas na produção de alimentos poderiam ser adaptadas para incorporar geradores de micro-ondas. Isso permitiria produzir batatas fritas com menos gordura, mantendo a crocância que os consumidores esperam e ainda reduzindo o tempo de processamento.
Se a tecnologia avançar para aplicação comercial, ela poderá representar uma mudança importante na produção de alimentos fritos, oferecendo uma opção mais leve sem alterar significativamente o sabor e a textura das batatas.
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