Casal passou 6 meses coletando pneus e construiu uma casa de 4 quartos usando 1.100 unidades recicladas, na Nova Zelândia
Adicione o TudoGostoso às suas fontes favoritas Nos siga no Google
Amanda LopesPor  Amanda Lopes  | Redatora

Fascinada por MasterChef, culinária nordestina, pratos empanados, receitas rápidas e drinks diferentes, Amanda não abre mão de um bom cafezinho acompanhado de água com gás após o almoço, mesmo nos dias quentes.

Na Nova Zelândia, um casal decidiu transformar 1.100 pneus descartados em parte da estrutura da casa dos sonhos.

Casal passou 6 meses coletando pneus e construiu uma casa de 4 quartos usando 1.100 unidades recicladas, na Nova Zelândia

A construção de quatro quartos também reúne energia solar, reaproveitamento de água e materiais reciclados. (Créditos: earthship/ media@earthship.com)

No vale de Puketui, em Coromandel, na Nova Zelândia, um casal decidiu abandonar a ideia de construir uma residência convencional para apostar em um projeto muito mais ousado. Gus Anning e Sarah Rowe, ambos de 38 anos, estão erguendo uma Earthship, modelo de construção que combina materiais reciclados, geração própria de energia e reaproveitamento de recursos naturais.

A residência foi planejada para ter quatro quartos, banheiro, cozinha e sala de estar integrados. Mas o que mais chama atenção está escondido nas paredes: cerca de 1.100 pneus usados foram preenchidos com terra e empilhados para formar parte da estrutura da casa.

O que é uma Earthship?

O conceito de Earthship foi desenvolvido pelo arquiteto norte-americano Michael Reynolds, a partir da década de 1970, com a proposta de criar casas capazes de reduzir o impacto ambiental e funcionar de maneira mais autônoma.

A técnica utiliza materiais naturais e itens que seriam descartados, como pneus, garrafas de vidro, terra e argila. Além disso, as construções podem contar com sistemas próprios de energia e água, diminuindo a dependência da infraestrutura convencional.

A ideia conquistou Anning depois que ele assistiu ao documentário Garbage Warrior, que mostra o trabalho de Reynolds. O casal chegou a considerar uma casa pré-fabricada, mas desistiu ao perceber que o modelo não atendia ao que procurava. Para eles, além de gerar mais custos com aquecimento e manutenção, uma residência tradicional não teria a mesma integração com o ambiente.

Por dentro, a casa fica ainda mais diferente

Externamente, a construção se mistura à paisagem. A residência é comprida e baixa, construída junto à encosta, com grandes janelas na fachada e painéis solares instalados no telhado.

O interior, porém, revela o caráter incomum do projeto. Plantas tropicais e ervas crescem em uma área ensolarada da casa, enquanto as paredes recebem acabamento de barro e palha. Algumas delas também são decoradas com garrafas de vidro incorporadas à estrutura.

Os pneus preenchidos com terra ajudam no isolamento térmico. A massa das paredes absorve o calor durante o dia e contribui para manter a temperatura interna mais estável. Mesmo assim, o casal instalou uma lareira a lenha para enfrentar as noites mais frias da região.

Outro destaque é o sistema hídrico. A água utilizada na residência passa por diferentes etapas de reaproveitamento. Parte dela é filtrada por plantas cultivadas no interior da casa antes de ser utilizada novamente nas descargas.

Energia solar e reaproveitamento de materiais

Os painéis solares instalados no telhado foram projetados para fornecer a energia necessária à residência. A proposta é tornar a casa mais independente da rede elétrica convencional.

O projeto também aproveita um terreno que possui um significado especial para Sarah. A área foi presenteada pelos pais dela e fazia parte do pomar de kiwis da família. Na infância, ela costumava andar a cavalo pelo local.

Para a moradora, a construção representa uma alternativa entre as casas sustentáveis de alto custo e projetos de autossuficiência que não seguem as exigências locais.

O projeto é surpreendente. (Créditos: earthship/ media@earthship.com)

O projeto é surpreendente. (Créditos: earthship/ media@earthship.com)

Voluntários ajudaram a colocar o projeto de pé

A construção não conta apenas com profissionais. Grande parte do trabalho foi realizada com a ajuda de voluntários interessados em aprender técnicas de construção sustentável.

Em determinados períodos, até 60 pessoas chegaram a permanecer na propriedade para participar das atividades. Em troca do trabalho, recebiam alimentação e hospedagem, além da oportunidade de aprender diretamente com profissionais envolvidos na obra.

Entre os voluntários estava Connor McKay, de 20 anos, que viajou de Greymouth para participar da construção. Ele passou meses no local e chegou a dormir em um colchão no chão da sala.

Para McKay, a experiência serviu como uma espécie de aprendizado prático para quem pretende trabalhar futuramente com construção. Além das técnicas tradicionais, ele aprendeu métodos específicos utilizados nas Earthships.

Projeto também inspira quem quer construir no futuro

A experiência chamou a atenção de pessoas que pretendem criar suas próprias casas sustentáveis. A voluntária Laura Hamilton participou da obra ao lado do companheiro e do filho recém-nascido, com o objetivo de aprender técnicas que possam ser aplicadas em uma futura residência.

Para ela, além do conhecimento adquirido, a convivência com pessoas de diferentes lugares que compartilham preocupações ambientais tornou a experiência ainda mais significativa.

A obra, portanto, vai além da construção de uma casa. Ao transformar pneus descartados, garrafas e outros materiais em parte de uma residência funcional, o casal criou também um espaço de aprendizado para quem deseja experimentar formas diferentes de morar e consumir recursos.

Enquanto a construção avança, Anning e Rowe seguem conciliando o projeto com o trabalho. Sarah chegou a comparar a longa jornada de construção a uma gravidez: um processo intenso, trabalhoso e que exige muita dedicação até chegar ao resultado final.

Veja mais

Aos 78 anos, Tony Ramos investe em casa de praia de alto padrão com arquitetura colonial para aproveitar dias de folga em Búzios, no litoral do Rio

Temas relacionados