A busca pela longevidade costuma despertar interesse em dietas e alimentos específicos, mas esse oncologista acredita que o segredo está em algo mais simples.
Quem busca uma vida longa costuma procurar alimentos considerados "milagrosos", mas, para o oncologista italiano Silvio Garattini, de 97 anos, o segredo está em um hábito muito mais simples: controlar a quantidade de comida consumida ao longo do dia. Segundo o especialista, não é necessário seguir dietas radicais nem eliminar grupos alimentares, desde que haja equilíbrio entre qualidade e moderação.
Mais importante do que o número de refeições
Ao longo de décadas dedicadas à medicina e à pesquisa, Silvio Garattini defende que a moderação é um dos pilares da longevidade. Em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, o oncologista explicou que o mais importante não é quantas vezes uma pessoa se alimenta, mas sim a quantidade total ingerida diariamente.
"O importante é comer pequenas porções, mesmo que eu coma cinco vezes ao dia; o que importa é o total", afirmou Garattini ao El Mundo.
"Você deve sair da mesa sentindo um pouco de fome", aconselhou o especialista. Na prática, essa filosofia lembra o conceito japonês conhecido como "hara hachi bu", tradição de Okinawa que incentiva as pessoas a comerem até cerca de 80% da saciedade. A região japonesa é famosa pela elevada concentração de centenários e costuma ser estudada por pesquisadores interessados em entender os fatores relacionados à longevidade.
Quantidade importa, mas qualidade continua sendo fundamental
Apesar da importância das porções, Garattini ressalta que a escolha dos alimentos continua sendo indispensável para preservar a saúde. O objetivo é evitar excessos, mantendo uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades individuais.
O oncologista recomenda seguir um padrão alimentar inspirado na dieta mediterrânea, rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite de oliva, peixes e oleaginosas. Esse modelo alimentar é amplamente associado à redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outras condições crônicas.
Além da alimentação equilibrada, o especialista também orienta evitar o consumo de álcool e manter uma rotina de atividade física diária. Embora esses conselhos possam parecer conhecidos, eles continuam sendo respaldados por evidências científicas como alguns dos principais fatores capazes de favorecer um envelhecimento mais saudável.
Para Garattini, viver mais não depende de um único alimento ou de uma dieta da moda. O verdadeiro diferencial está na combinação entre moderação, escolhas alimentares de qualidade e um estilo de vida ativo.
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