Estudo mostra que cocaína em rios altera comportamento de salmões e preocupa cientistas sobre impactos na vida aquática
Um estudo publicado na revista Science revelou que resíduos de drogas presentes em rios estão alterando o comportamento de salmões em ambiente natural. A pesquisa foi conduzida por Jack Brand e sua equipe, que acompanharam mais de 700 salmões jovens durante a migração em um rio na Suécia. Diferente de estudos anteriores feitos em laboratório, esse trabalho analisou os peixes em seu próprio habitat, trazendo dados mais próximos da realidade.
Como a cocaína presente na água afeta os salmões?
Os resultados mostram que salmões expostos à cocaína nadam até 1,9 vezes mais por semana do que aqueles não contaminados. Segundo os pesquisadores, esse aumento na atividade não é positivo. Ele ocorre por alterações no sistema nervoso dos peixes, causadas pelas substâncias presentes na água.
Nadar mais pode prejudicar a sobrevivência do salmão?
Sim. O comportamento mais ativo faz com que os salmões gastem mais energia e fiquem mais expostos a predadores durante a migração. Isso pode comprometer a sobrevivência a longo prazo, já que essa fase da vida dos peixes já exige muito esforço naturalmente.
Outras substâncias além da cocaína também causam impacto nos salmões?
O estudo também identificou efeitos de medicamentos como ansiolíticos. Um exemplo citado é o clobazam, que altera o comportamento dos peixes.
De acordo com Marcus Michelangeli, coautor da pesquisa e integrante do Instituto de Rios Australianos da Universidade Griffith, essas substâncias podem fazer com que os salmões deixem de nadar em grupo, o que aumenta o risco de ataques de predadores.
Por que a presença de drogas nos rios é um alerta global?
Pesquisadores apontam que mais de 900 substâncias já foram encontradas em rios ao redor do mundo. Entre elas estão medicamentos que afetam diretamente o cérebro, o que explica mudanças de comportamento em diferentes espécies aquáticas.
O que torna esse estudo tão importante?
Segundo os cientistas, o diferencial está na análise feita em condições reais, fora do laboratório. Isso mostra que a poluição por resíduos farmacêuticos não afeta apenas a água, mas também o comportamento e a sobrevivência dos animais que vivem nesses ambientes, levantando preocupações sobre o impacto a longo prazo nos ecossistemas.
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