Os croissants recheados com doce de leite e creme de confeiteiro que são a sensação do momento: feitos à mão em três dias de preparação e com 100% de manteiga
Por  Adriana Douglas

Uma tradição argentina ganhou novas versões com massa amanteigada, preparo artesanal e recheios cremosos que conquistaram os apaixonados por doces em Buenos Aires

As medialunas recheadas da rede Nuna & Co. fazem sucesso em diversos bairros na capital argentina (Créditos: Reprodução/@nunca.andco/Instagram)

Se existe um cheiro capaz de fazer qualquer argentino parar por alguns segundos, é o de massa amanteigada recém-saída do forno. Na Argentina, as medialunas ocupam um lugar especial na mesa e ganham destaque em todo tipo de ocasião.

Nos últimos anos, porém, o clássico ganhou novas versões. Além das tradicionais, surgiram medialunas recheadas, com cobertura e com ingredientes cada vez mais criativos. Algumas delas até viraram verdadeiros objetos de desejo entre os moradores da capital Buenos Aires.

É o caso das medialunas da Nuna & Co, confeitaria que conquistou espaço por transformar um item tradicional em uma experiência que vai muito além do café da tarde. Entre os sabores que mais fazem sucesso, estão os recheios de doce de leite e creme de confeiteiro, que vão dentro de uma massa feita exclusivamente com manteiga e trabalhada artesanalmente, em um processo que dura até três dias.

O que são as medialunas argentinas?

Apesar de lembrarem bastante os croissants franceses, as medialunas argentinas têm características próprias. Elas costumam ser menores, mais delicadas e têm uma textura que combina uma parte externa levemente crocante com um interior macio e aerado.

Na Argentina, as medialunas fazem parte do cotidiano. Podem aparecer no café da manhã, acompanhar o mate ou virar a estrela do lanche da tarde. Neste contexto, a versão recheada elevou ainda mais o nível da brincadeira. Hoje, o quitute que já era querido pelos argentinos ganhou um verdadeiro universo de sabores.

As medialunas são similares ao croissant francês, mas com pequenas diferenças (Créditos: Reprodução/@nunca.andco/Instagram)

Uma confeitaria que transformou a medialuna em protagonista

A história da Nuna & Co começou em novembro de 2020, em Olivos, na Grande Buenos Aires. A ideia surgiu de uma necessidade bastante simples: havia pouca oferta de padarias na região e faltava um lugar onde fosse possível comprar boas medialunas frescas.

À frente do negócio estavam Margarita e o confeiteiro Ariel Gravano, que já carregava uma trajetória de peso na confeitaria argentina. Gravano foi campeão argentino de confeitaria em 2017, participou do Mundial de Confeitaria em Lyon, na França, e também passou por cozinhas renomadas, além de ter estudado na tradicional École Lenôtre, em Paris.

O primeiro estabelecimento funcionava em um antigo bar. Um dos poucos equipamentos que permaneceram no imóvel foi justamente uma câmara de fermentação. Para um confeiteiro, aquilo acabou parecendo um ótimo sinal.

A proposta era fazer algo diferente: pegar a tradição das medialunas e aplicar a criatividade que já aparecia em croissants e outros doces pelo mundo. Assim nasceram as versões recheadas e autorais que ajudaram a colocar a confeitaria no mapa gastronômico de Buenos Aires. O negócio cresceu e chegou a quatro unidades, mantendo a mesma filosofia: qualidade acima da pressa.

Por que a produção demora três dias?

Aqui está uma das partes mais curiosas da história. Uma medialuna da Nuna & Co não é feita de manhã para ser colocada na vitrine algumas horas depois. O processo completo dura três dias.

Isso acontece porque a massa precisa passar por diferentes etapas de preparo, descanso, fermentação, modelagem e forneamento. E existe ainda um detalhe importante: todo o processo é artesanal. Não são usadas máquinas para enrolar a massa em escala industrial, o trabalho é todo feito manualmente.

O resultado aparece na textura. A massa fica leve, com interior aerado, enquanto a superfície ganha uma coloração dourada irresistível. É também por isso que a confeitaria precisou acostumar os clientes a uma ideia que parece simples, mas nem sempre combina com a rotina de uma padaria: um produto realmente artesanal não fica pronto instantaneamente.

Além da versão simples, sem recheio, as medialunas mais desejadas da Nuna & Co. são aquelas recheadas com doce de leite e creme de confeiteiro (Créditos: Reprodução/@nunca.andco/Instagram)

100% manteiga e com estilo marplatense

A receita das medialunas da Nuna & Co. segue o estilo marplatense e utiliza 100% manteiga. A massa não leva ovo e foi pensada para entregar uma mordida delicada, com bastante sabor de manteiga, muito similar a um croissant tradicional.

O contraste de texturas é um dos pontos altos: por fora, a massa fica dourada e levemente crocante; por dentro, permanece macia e cheia de pequenas camadas de ar. Depois de pronta, a medialuna ainda recebe um acabamento que ajuda a equilibrar sabor e doçura. E é justamente essa base aparentemente simples que permite que os recheios brilhem.

Doce de leite ou creme de confeiteiro?

Entre as opções fixas da casa estão sabores clássicos como doce de leite, membrillo (marmelo) e creme de confeiteiro, também conhecido como crema pastelera.

O doce de leite é praticamente uma escolha óbvia na Argentina. Cremoso, intenso e bem doce, combina naturalmente com a massa amanteigada. Mas a versão com creme também ganhou muitos fãs, principalmente devido à textura sedosa e delicada, que também contrasta muito bem com a massa.

Só que a graça da Nuna & Co está também em brincar com diferentes combinações. Além dos sabores mais tradicionais, a confeitaria já criou versões especiais com ingredientes como café, chocolate, frutas e coco. Algumas aparecem por tempo limitado e outras acabam se tornando tão

A história das medialunas recheadas da confeitaria mostra como um clássico pode ganhar uma nova vida sem perder sua essência. A massa continua sendo a estrela, o que muda é a possibilidade de brincar com recheios e coberturas. Não é de surpreender que, em Buenos Aires, elas tenham deixado de ser apenas companhia para o café e passado a ser um dos doces que muita gente faz questão de sair de casa para provar.

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