Foi plantada em 1825 para alimentar a população: 200 anos depois, tornou-se uma árvore invasora que está sendo combatida com drones e insetos
Por  Jéssica Antunes  | Redatora

Jornalista apaixonada pelo universo gastronômico. Aprendi a cozinhar de verdade (com panela de pressão e tudo) depois de sair da casa dos meus pais para estudar. Desde então, amo experimentar sabores, conhecer novas culinárias e me arriscar em receitas diferentes.

Uma espécie levada do Brasil ao Havaí revela como um gesto bem-intencionado pode se transformar em um desafio ambiental duradouro

Uma decisão tomada há dois séculos ainda gera consequências para os ecossistemas do Havaí. (Foto: Canva)

Uma árvore trazida ao Havaí como fonte de alimento no século 19 se transformou, duas centenas de anos depois, em uma das principais espécies invasoras do arquipélago. Batizada de araçá vermelho ou goiaba-morango, a planta hoje desloca espécies nativas e mobiliza pesquisadores em busca de soluções tecnológicas. Continue a leitura e entenda como drones e insetos estão sendo usados no combate à propagação da árvore.

Uma árvore introduzida em 1825 que fugiu do controle

Em 1825, autoridades do Havaí decidiram introduzir o araçá vermelho, cujo nome científico é Psidium cattleianum, com o objetivo de ajudar a alimentar a população local. Originária do Brasil, a árvore se adaptou tão bem ao clima quente e úmido do arquipélago que passou a se espalhar sem controle pelo território. Ao longo dos anos, ela colonizou grandes extensões, formando florestas densas que dificultam o crescimento da vegetação nativa e alteram por completo a estrutura das áreas afetadas, um problema comum quando espécies são levadas para fora de seu habitat original sem o devido cuidado com o jardim ao redor.

Um inseto brasileiro entra em ação

Para conter o avanço da espécie, cientistas recorreram a outro organismo nativo do Brasil: o Tectococcus ovatus, um pequeno inseto que se alimenta exclusivamente do araçá vermelho. Aprovado pelas autoridades havaianas em 2012, ele forma pequenas galhas nas folhas da árvore, o que enfraquece seu crescimento sem prejudicar outras espécies de plantas presentes na região, de forma parecida com o modo como certos ingredientes naturais ajudam a afastar pragas sem o uso de produtos químicos.

O uso da tecnologia se tornou um aliado importante no controle de espécies que ameaçam a biodiversidade local. (Foto: Canva)

Por que os drones tornaram o processo mais eficiente

A novidade mais recente do projeto está na forma de distribuição desse inseto. Um estudo publicado no Journal of Economic Entomology comparou a liberação manual com um sistema de distribuição por drones e encontrou uma diferença expressiva de desempenho. Enquanto o método manual levava cerca de 12 minutos para tratar cada árvore, os drones reduziram esse tempo para apenas 2,8 minutos, uma economia de 77%. A colonização bem-sucedida também cresceu, passando de 38% para 63% um ano após a aplicação, além de facilitar o acesso a áreas de mata mais difíceis de alcançar a pé.

Um projeto batizado para acelerar a proteção do ecossistema

Depois dos primeiros testes, a equipe de pesquisadores desenvolveu drones com maior capacidade de distribuição e batizou a iniciativa de Kūhualūlū. O objetivo do projeto é acelerar o controle da espécie invasora em áreas de difícil acesso e proteger os ecossistemas nativos do Havaí, que seguem ameaçados pela expansão da árvore trazida do Brasil há dois séculos. A expectativa dos cientistas é que a tecnologia sirva de modelo para outros programas de controle biológico ao redor do mundo, reduzindo custos e agilizando o trabalho em florestas de difícil acesso.

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