Fernanda Mattos, nutricionista: "Nem tudo o que vem com a palavra proteína no rótulo é, de fato, uma boa escolha. Em alguns casos, funciona mais como estratégia de marketing do que como selo de qualidade nutricional"
Por  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

A proteína é essencial, mas não precisa virar obsessão nem justificar qualquer compra

Suplementos são úteis pela praticidade e pela concentração de proteína, mas não possuem poderes especiais (Crédito: Shutterstock)

A proteína virou uma das palavras mais valorizadas nas embalagens dos supermercados. A promessa costuma envolver mais saciedade, ganho de massa muscular, emagrecimento e uma alimentação supostamente mais saudável.

Em artigo publicado no Jornal do Brasil, a nutricionista Fernanda Mattos, porém, faz um alerta importante: "Nem tudo o que vem com a palavra proteína no rótulo é, de fato, uma boa escolha. Em alguns casos, funciona mais como estratégia de marketing do que como selo de qualidade nutricional".

A presença do nutriente, portanto, não apaga o açúcar, a gordura, o sódio e os aditivos que também podem estar no produto...

Por que a proteína é tão importante para o organismo?

As proteínas são formadas por aminoácidos e participam de diferentes funções no corpo. Elas ajudam na construção e na manutenção dos músculos, dos ossos, da pele, dos cabelos e das unhas, além de fazerem parte da produção de hormônios e enzimas.

O nutriente também contribui para o sistema imunológico, a cicatrização e a sensação de saciedade após as refeições. Isso ajuda a explicar por que a proteína ganhou destaque entre pessoas que praticam exercícios, desejam emagrecer ou querem preservar a massa muscular ao longo do envelhecimento.

Produto com proteína não é necessariamente saudável

Uma barra proteica pode conter uma quantidade interessante do nutriente e, ao mesmo tempo, ser rica em açúcar, gordura saturada, adoçantes ou sódio. O mesmo vale para biscoitos, chocolates e sobremesas que recebem a expressão "com proteína" em destaque na parte da frente da embalagem.

Como resume Fernanda Mattos, "um chocolate com proteína continua sendo chocolate". Ele pode fazer parte da alimentação, mas não deve ser confundido com um alimento básico ou com uma fonte proteica naturalmente nutritiva. O ideal é analisar o produto como um todo. Antes de colocar no carrinho, observe:

  • A quantidade de proteína por porção
  • Os primeiros ingredientes da lista
  • O teor de açúcar, sódio e gordura saturada
  • A presença de fibras
  • O tamanho real da porção indicada
  • A quantidade de aditivos e adoçantes

A lista de ingredientes aparece em ordem decrescente. Isso significa que os primeiros itens são aqueles presentes em maior quantidade. Se açúcar, xarope ou gordura aparecem logo no começo, a palavra “proteína” não transforma o produto em uma escolha obrigatoriamente equilibrada.

Consumir mais proteína sempre traz mais resultado?

Não. Quando a quantidade já é suficiente, simplesmente acrescentar mais proteína não garante músculos maiores, perda de peso mais rápida ou melhora automática da saúde. 

O excesso pode aumentar as calorias da dieta e provocar desconfortos como gases, constipação e sensação de estômago pesado, especialmente quando a alimentação perde espaço para frutas, verduras, legumes e fontes de fibras.

Em pessoas saudáveis, consumos mais elevados podem ser tolerados, mas devem fazer sentido dentro da rotina. Quem apresenta doença renal, hepática ou outra condição clínica precisa de orientação profissional antes de aumentar significativamente a ingestão ou iniciar suplementos.

Alimento comum ou versão proteica: qual escolher?

Nem sempre o produto enriquecido é necessário. Um iogurte natural combinado com aveia e sementes, por exemplo, pode oferecer proteína, fibras e outros nutrientes sem depender de uma sobremesa ultraprocessada com alegação proteica.

O mesmo raciocínio vale para lanches. Ovos, queijo, leite, iogurte, pasta de amendoim, grão-de-bico e sobras de frango ou atum podem formar opções simples e acessíveis. A escolha depende do restante da alimentação, da fome e das necessidades de cada pessoa.

Suplementos como whey protein são úteis pela praticidade e pela concentração de proteína, mas não possuem poderes especiais. Eles podem facilitar a rotina quando não há tempo ou apetite para uma refeição, desde que sejam usados de forma coerente.

10 alimentos ricos em proteínas para comer todos os dias (fácil de incluir no cardápio!)

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