Faca sem corte mesmo recém amolada? O problema pode estar em um desses 7 erros
Por  Adriana Douglas

Pequenos deslizes na afiação, no uso e até na hora de lavar ou guardar podem fazer a lâmina perder a eficiência muito mais rápido do que deveria

A qualidade do aço da faca também pode influenciar a durabilidade do corte (Créditos: Shutterstock)

Amolar a faca, usá-la em algum alimento e perceber que ela continua sem cortar direito é frustrante. Pior ainda quando o gume parecia perfeito e perdeu o corte poucos dias depois. Mas, antes de culpar a qualidade da faca, vale olhar para alguns hábitos que podem estar sabotando o resultado.

Desde o jeito como a lâmina é afiada até a superfície usada para cortar os alimentos, vários detalhes fazem diferença na durabilidade do fio. E alguns deles são tão comuns que passam despercebidos na rotina da cozinha. Confira quais são!

1) O ângulo da afiação pode estar errado

Não basta passar a faca pela pedra ou pelo afiador várias vezes. O ângulo utilizado durante a afiação é fundamental para formar um gume eficiente.

Se a lâmina for mantida em um ângulo muito aberto, o fio pode ficar espesso e cortar pior. Já um ângulo excessivamente fechado pode deixar o gume fino e vulnerável a dobrar ou sofrer danos durante o uso.

Em facas de cozinha comuns, um ângulo na faixa de 15 a 20 graus por lado costuma ser adequado. Só que, mais importante do que acertar um número exato, é conseguir manter o ângulo relativamente constante durante toda a afiação.

Afiar a faca com muita força ou no ângulo inadequado pode mais atrapalhar do que ajudar (Créditos: Shutterstock)

2) A rebarba ficou na lâmina

Esse é um detalhe que pode explicar por que uma faca parece afiada durante alguns minutos e depois volta a ficar "cega".

Durante a afiação, o desgaste do aço pode formar uma pequena rebarba na extremidade do gume. Ela precisa ser removida ou devidamente alinhada na etapa de acabamento. Caso contrário, pode dobrar com os primeiros cortes e criar a impressão de que a faca perdeu o fio instantaneamente.

Por isso, a finalização da afiação não deve ser ignorada. Uma pedra de granulação mais fina ou um strop de couro, por exemplo, pode ajudar a deixar o gume mais regular.

3) A faca está sendo usada na tábua errada

De nada adianta caprichar na afiação se a faca é usada sobre uma superfície que agride o gume. Tábuas de vidro, mármore, granito e cerâmica são péssimas companheiras para lâminas afiadas. O contato repetido com materiais muito duros pode danificar e desgastar rapidamente a extremidade da faca.

Para o dia a dia, tábuas de madeira ou plástico próprio para alimentos são opções muito mais adequadas. Ah, e aquele hábito de cortar diretamente os alimentos sobre a pia ou bancada também deve ficar de lado.

4) A chaira está sendo usada como se fosse afiador

A chaira é um utensílio bastante conhecido, mas existe muita confusão sobre sua função. Em muitos casos, ela é utilizada principalmente para realinhar o gume, e não para retirar uma quantidade significativa de metal e criar um fio novo.

Por isso, passar a faca na chaira depois do uso pode ajudar a manter o alinhamento do gume, mas não substitui necessariamente uma afiação adequada. Além disso, pressionar demais a lâmina ou utilizar a chaira em um ângulo inadequado pode prejudicar o fio em vez de melhorar o corte.

Cortar ou picar alimentos em superfícies inapropriadas também pode arruinar o fio da lâmina (Créditos: Shutterstock)

5) A faca vai para a lava-louças

Aqui está outro erro que costuma passar despercebido, principalmente porque colocar todos os utensílios na máquina parece uma ótima maneira de economizar tempo.

O problema é que facas de cozinha não são boas candidatas à lava-louças, especialmente quando isso vira um hábito. Durante o ciclo, a lâmina fica exposta à água quente, detergentes e jatos fortes. Além disso, ela pode vibrar ou entrar em contato com outros utensílios, favorecendo pequenos danos ao gume.

O ideal é lavar a faca manualmente, com água, detergente e uma esponja macia, e secá-la logo depois. Esponjas abrasivas e produtos de limpeza agressivos também devem ser evitados, pois podem riscar a lâmina e contribuir para seu desgaste.

6) A faca está sendo usada para tarefas que não deveria fazer

Uma faca de cozinha foi feita para cortar alimentos – e não para abrir embalagens, raspar restos grudados na tábua, cortar papelão ou fazer as vezes de espátula. Esses movimentos podem causar pequenas deformações no gume e o problema nem sempre aparece imediatamente.

Outro hábito ruim é torcer a faca durante o corte. O ideal é deixar que a lâmina faça o trabalho, usando movimentos controlados e sem aplicar força excessiva.

7) A faca está sendo guardada de qualquer jeito

Depois de todo o trabalho para deixar a lâmina afiada, não faz sentido jogá-la solta na gaveta junto com garfos, colheres e outros utensílios. O contato constante com objetos metálicos ou duros pode danificar o gume. Além disso, uma faca solta na gaveta é um risco de acidente na hora de procurar outro utensílio.

Um bloco de facas, suporte magnético ou protetor de lâmina ajuda a preservar o fio e também deixa o armazenamento mais seguro.

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