Ajudar o garçom a limpar a mesa pode parecer um gesto gentil: os psicólogos enxergam algo muito mais profundo nisso.
Por  Amanda Lopes  | Redatora

Fascinada por MasterChef, culinária nordestina, pratos empanados, receitas rápidas e drinks diferentes, Amanda não abre mão de um bom cafezinho acompanhado de água com gás após o almoço, mesmo nos dias quentes.

Depois de terminar a refeição, você costuma ajudar o garçom a organizar a mesa? Esse gesto, visto por muitos como simples educação, pode revelar traços da personalidade.

O garçom deve ser tratado com gentileza. (Créditos: Shutterstock)

Ao terminar uma refeição em um restaurante, algumas pessoas têm o costume de empilhar os pratos, juntar os talheres ou aproximar a louça da borda da mesa para facilitar o trabalho do garçom. À primeira vista, parece apenas um gesto de educação. Mas, segundo especialistas em psicologia, essa atitude pode dizer muito sobre a forma como uma pessoa se relaciona com os outros.

De acordo com o psicólogo espanhol Francisco Tabernero, esse comportamento vai além da boa educação. Em entrevista reproduzida pelo Purepeople, ele afirma que "esse simples gesto de ajudar o garçom significa várias coisas" e pode refletir características importantes da personalidade.

Empatia e altruísmo por trás desse comportamento

Segundo Tabernero, quando a ajuda acontece de forma espontânea, ela está frequentemente ligada ao chamado comportamento pró-social. "Oferecer ajuda a um garçom de forma altruísta demonstra empatia" e decorre de "puro altruísmo", explica o especialista.

Na psicologia, comportamentos pró-sociais são aqueles realizados voluntariamente para beneficiar outras pessoas, sem esperar recompensas ou reconhecimento. Quem costuma agir dessa maneira pode apresentar traços como empatia, humildade e senso de responsabilidade social, além de uma maior capacidade de reconhecer o esforço envolvido no trabalho alheio.

Especialistas destacam que esses hábitos também são influenciados pela educação recebida e pelo exemplo observado durante a infância, mas refletem igualmente uma postura colaborativa diante das situações do cotidiano.

Nem toda ajuda tem a mesma motivação

Apesar da associação com a empatia, Tabernero ressalta que o gesto nem sempre nasce apenas da vontade de ajudar. Em alguns casos, ele pode estar relacionado à necessidade de aprovação social.

Segundo o psicólogo, algumas pessoas desenvolvem uma postura excessivamente prestativa porque sentem "um medo excessivo de julgamentos negativos por parte dos outros". Nesses casos, a colaboração deixa de ser apenas um ato espontâneo e passa a refletir o desejo de agradar.

"Ao contrário do altruísmo, às vezes existe uma necessidade de ser bem visto e evitar críticas", explica o especialista. Por isso, um único comportamento não é suficiente para definir a personalidade de alguém.

 

Entenda por que essa atitude vai muito além da gentileza. (Créditos: Shutterstock)

Um gesto valorizado até no mercado de trabalho

Independentemente da motivação, atitudes colaborativas costumam ser bem avaliadas em diferentes contextos. Uma meta-análise publicada no Journal of Applied Psychology, realizada com mais de 9.800 profissionais, concluiu que trabalhadores que demonstram comportamentos pró-sociais contribuem para aumentar a produtividade, fortalecer o trabalho em equipe e reduzir conflitos internos.

Outro estudo, da Harvard Business School, mostrou que equipes compostas por pessoas que colaboram espontaneamente em benefício do grupo registraram aumento de 16% na produtividade e de 12% na coesão entre os colegas.

Ainda assim, Tabernero faz uma ressalva: em determinadas situações, ajudar a recolher os pratos também pode estar relacionado ao estado emocional da pessoa, como ansiedade ou nervosismo, e não necessariamente ao desejo consciente de facilitar o trabalho do garçom. Ou seja, embora o gesto possa oferecer pistas interessantes sobre a personalidade, ele nunca deve ser interpretado de forma isolada.

 

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