Os sachês ficaram para trás! Entenda por que restaurantes vão deixar de oferecer ketchup, maionese, sal e açúcar a partir de agosto
JoannaPor  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

Além do impacto ambiental, estudos apontam que a parte externa dos sachês pode acumular fungos e bactérias devido ao manuseio durante o transporte e armazenamento.

Os sachês ficaram para trás! Entenda por que restaurantes vão deixar de oferecer ketchup, maionese, sal e açúcar a partir de agosto

Bilhões de sachês descartáveis são jogados fora todos os anos, (créditos: Shutterstock)

Os tradicionais sachês de ketchup, maionese, mostarda, sal e açúcar podem estar com os dias contados em muitos restaurantes. A partir de agosto, a União Europeia passa a proibir esse tipo de embalagem descartável para consumo no local, em uma medida que busca reduzir a produção de lixo plástico e incentivar alternativas mais sustentáveis.

Embora a mudança não valha para o Brasil, ela reforça um movimento global que já vem sendo adotado por diferentes países. Além da preocupação ambiental, estudos também chamam atenção para outro fator pouco conhecido: a contaminação presente na parte externa dessas embalagens.

Europa dá adeus aos sachês descartáveis

A União Europeia decidiu banir os sachês plásticos de uso único oferecidos em bares, restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos que servem refeições para consumo no local. A regra entra em vigor a partir de agosto de 2026 e faz parte de um pacote de medidas voltadas para reduzir o desperdício de embalagens.

A expectativa é diminuir significativamente a geração de resíduos e incentivar o uso de recipientes reutilizáveis ou de alternativas com menor impacto ambiental. O bloco europeu também estabeleceu metas ainda mais rígidas para os próximos anos, com foco na redução de embalagens descartáveis até 2030.

A mudança acompanha uma tendência que já vem sendo adotada em diferentes partes do mundo.

Outros países também estão reduzindo o uso de sachês

A preocupação com o excesso de plástico descartável não é exclusiva da Europa. Diversos governos já criaram regras para limitar ou substituir esse tipo de embalagem.

Nos Estados Unidos e Canadá, diversas cidades e regiões passaram a restringir a distribuição automática de condimentos, que passam a ser entregues apenas quando o cliente solicita.

Aqui no Brasil, vários estabelecimentos aceleram a substituição dos sachês por dispensers e embalagens mais sustentáveis.

A ideia é evitar o desperdício de produtos que muitas vezes são entregues, mas acabam indo direto para o lixo.

Os tradicionais sachês estão sendo substituídos por dispensers e recipientes reutilizáveis em diversos países. (créditos: Shutterstock)

Os tradicionais sachês estão sendo substituídos por dispensers e recipientes reutilizáveis em diversos países. (créditos: Shutterstock)

O problema ambiental dos pequenos sachês

Apesar do tamanho reduzido, os sachês representam um grande desafio para a reciclagem. Todos os anos, bilhões dessas embalagens são descartados após um único uso. Como são feitas de diferentes camadas de plástico e outros materiais, a reciclagem costuma ser difícil e economicamente pouco viável.

Na prática, boa parte desses resíduos acaba em aterros sanitários, lixões ou chega aos rios e oceanos, contribuindo para a poluição ambiental.

Por isso, especialistas defendem que substituir embalagens descartáveis por recipientes reutilizáveis pode reduzir significativamente a quantidade de plástico produzida e descartada.

Os sachês também podem acumular microrganismos

Além da questão ambiental, a higiene dessas embalagens também tem chamado atenção dos especialistas.

Um estudo realizado em 2011 pelo Laboratório de Microbiologia dos Alimentos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) analisou 285 sachês de molhos utilizados em estabelecimentos comerciais.

Os resultados mostraram que mais de 70% das embalagens apresentavam contaminação por fungos; cerca de 82% continham colônias de bactérias; aproximadamente 10% apresentavam coliformes fecais na parte externa.

Isso acontece porque os sachês passam por centros de distribuição, estoques, caixas de transporte e são manipulados por diferentes pessoas até chegarem às mesas dos consumidores. Embora o conteúdo interno permaneça protegido, a embalagem externa pode concentrar microrganismos.

O Brasil também pode seguir esse caminho?

Até o momento, não existe uma lei nacional que proíba o uso de sachês descartáveis em restaurantes brasileiros.

Mesmo assim, o tema já aparece em debates sobre redução do plástico de uso único e pode ganhar força nos próximos anos, principalmente após a decisão da União Europeia.

O cenário lembra o que aconteceu com os canudos plásticos, que inicialmente foram proibidos em algumas cidades e estados antes de o assunto ganhar maior alcance no país.

Enquanto organizações ambientais defendem a substituição dos sachês, representantes do setor de alimentação destacam desafios relacionados ao custo das novas soluções e aos cuidados necessários com a higienização de recipientes reutilizáveis.

Caso a tendência avance também no Brasil, a forma como os condimentos são servidos poderá mudar.

Entre as principais alternativas estão:

Dispensers reutilizáveis: ketchup, maionese, mostarda e outros molhos passam a ser servidos em recipientes higienizados regularmente.

Condimentos sob pedido: o cliente recebe apenas a quantidade necessária em pequenos potes reutilizáveis.

Delivery com menos plástico: embalagens coletivas ou produzidas com materiais biodegradáveis podem substituir os tradicionais sachês.

A mudança pode exigir um período de adaptação para consumidores e estabelecimentos. Em compensação, especialistas apontam que a redução das embalagens descartáveis pode evitar que toneladas de plástico sejam descartadas todos os anos, diminuindo o impacto ambiental sem comprometer o acesso aos condimentos mais consumidos nas refeições.

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