O calor usado na produção dos enlatados libera um antioxidante poderoso que o corpo aproveita muito melhor
Muita gente passa direto pela prateleira de tomate pelado por achar que o produto enlatado é sempre inferior ao fresco. No caso do tomate, porém, a bioquímica conta outra história. Para o coração e os vasos sanguíneos, a versão da lata pode ser a escolha mais vantajosa. Continue lendo e entenda o motivo.
O tomate foge à regra dos alimentos processados
Existe uma ideia bem difundida de que o alimento fresco é sempre superior e de que o processamento acaba com os nutrientes. Em muitos vegetais, isso realmente acontece, já que o calor degrada as vitaminas mais sensíveis.
Com o tomate, o efeito é o inverso. O aquecimento ativa justamente a substância protetora mais importante da fruta, e é aí que a lata ganha vantagem.
Licopeno, o antioxidante que dá cor ao tomate
A estrela da história é o licopeno, pigmento natural responsável pelo vermelho intenso do tomate. No organismo, ele atua como um antioxidante potente, que combate os radicais livres, ajuda a proteger as células contra inflamações e contribui para retardar o envelhecimento dos vasos sanguíneos.
Por que o tomate cru entrega menos
O problema é que, no tomate cru, o licopeno fica preso dentro de paredes celulares bem resistentes. O sistema digestivo tem dificuldade para romper essas estruturas, e grande parte do antioxidante atravessa o intestino sem ser aproveitada.
Há ainda uma questão de formato. No estado natural, a molécula de licopeno é rígida e alongada, uma configuração chamada de todo-trans, que a parede intestinal absorve com dificuldade.
O que o calor da lata muda no tomate
Na fabricação de tomates enlatados, passata e purê, os frutos passam por um aquecimento rápido em alta temperatura. Esse processo resolve os dois obstáculos de uma só vez.
Primeiro, a estrutura fibrosa do tomate cede e as paredes celulares se rompem, liberando o licopeno. Depois, a própria molécula muda de forma: deixa de ser uma linha rígida e se curva, dando origem aos chamados isômeros cis. Nessa nova versão, o intestino consegue levar o antioxidante para a corrente sanguínea com muito mais facilidade.
Na prática, um simples molho de tomate feito com tomate pelado pode oferecer mais licopeno aproveitável do que uma salada caprichada de tomate cru.
Por que o licopeno interessa tanto ao coração
Cardiologistas e especialistas vasculares têm um motivo claro para valorizar o licopeno. Por ser lipossolúvel, ele se deposita no revestimento interno dos vasos sanguíneos.
Nesse local, o antioxidante ajuda a impedir a oxidação do colesterol LDL, o chamado colesterol ruim. Esse processo químico é o primeiro passo para a aterosclerose e a formação de placas nas artérias. O licopeno também estimula a produção de óxido nítrico, substância que relaxa as paredes dos vasos e contribui para a redução da pressão arterial.
Uma pesquisa de longo prazo da Universidade de Harvard, que acompanhou dezenas de milhares de mulheres, associou o consumo regular de produtos de tomate processados e aquecidos a um risco significativamente menor de doenças cardiovasculares.
O truque para aproveitar melhor o tomate enlatado
Um detalhe simples na cozinha faz diferença: acrescentar um pouco de gordura. Como o licopeno é lipossolúvel, ele depende dela para atravessar a parede intestinal. Um fio de azeite extravirgem no molho da massa ou na sopa de tomate quente aumenta ainda mais a absorção.
Além do benefício para a saúde, a lata pesa menos no bolso e poupa o trabalho de descascar e picar os tomates. Motivos de sobra para abrir uma lata sem culpa na próxima ida ao supermercado.
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