Peixe muito consumido no Brasil entra na lista de espécies ameaçadas e pode ter a venda proibida, segundo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas
Por  Amanda Lopes  | Redatora

Fascinada por MasterChef, culinária nordestina, pratos empanados, receitas rápidas e drinks diferentes, Amanda não abre mão de um bom cafezinho acompanhado de água com gás após o almoço, mesmo nos dias quentes.

Um dos peixes de água doce mais consumidos no Brasil entrou na lista de espécies ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente.

A medida não proíbe a pesca imediatamente. (Créditos: Canva)

Um dos peixes de água doce mais populares da Amazônia e presença frequente na mesa de milhares de brasileiros entrou em alerta. O tambaqui (Colossoma macropomum) passou a integrar a lista de espécies ameaçadas de extinção do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA), o que pode resultar em uma proibição da pesca caso medidas de conservação não sejam adotadas nos próximos meses.

A decisão acendeu um debate entre órgãos ambientais, pesquisadores e pescadores, que divergem sobre a situação atual da espécie e as melhores estratégias para garantir sua preservação.

Por que o tambaqui entrou na lista de espécies ameaçadas?

O tambaqui foi classificado como "vunerável" pelo Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A classificação considera estudos que apontam uma redução estimada de 43,4% da população da espécie ao longo de três gerações.

Segundo as avaliações, a pesca intensiva nas últimas décadas é um dos principais fatores responsáveis pela diminuição dos estoques naturais do peixe. Apesar da inclusão na lista, a pesca do tambaqui não está proibida neste momento.

De acordo com o diretor do Departamento de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do MMA, Braulio Ferreira de Souza Dias, a classificação exige a elaboração de um plano de recuperação da espécie antes que qualquer restrição definitiva seja aplicada.

A Portaria nº 1.666 estabeleceu um prazo de 180 dias para que esse plano seja apresentado e aprovado. Caso isso não aconteça dentro do período previsto, a pesca do tambaqui poderá ser proibida em todo o território nacional.

A espécie precisa que um plano de recuperação seja aprovado. (Créditos: Canva)

Pescadores questionam a classificação

A possibilidade de uma restrição nacional provocou reação entre pescadores, pesquisadores e instituições que atuam na Amazônia.

Um dos principais argumentos é que os dados utilizados na avaliação representam apenas áreas onde há registros formais de desembarque da pesca, correspondendo a cerca de 61% da distribuição conhecida da espécie.

Segundo opositores dessa medida, faltam informações sobre unidades de conservação e terras indígenas. Sem esses dados, seria difícil retratar com precisão a situação da espécie em toda a bacia amazônica.

Pesquisadores ligados ao Instituto Mamirauá também destacam que a abundância do tambaqui varia bastante entre diferentes regiões da Amazônia. Enquanto alguns locais registram redução significativa da população, outros ainda apresentam estoques considerados saudáveis.

Por isso, representantes da pesca defendem que sejam adotadas medidas regionalizadas de manejo sustentável, em vez de uma proibição ampla em todo o país. O grupo também pede maior diálogo entre o governo, pesquisadores e comunidades ribeirinhas, que dependem da pesca artesanal como importante fonte de renda e alimento.

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