Lavar frango não é higiene! Hábito gera debate nas redes sociais e acende alerta sobre segurança alimentar na cozinha
Por  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

Apesar da sensação de limpeza, a prática pode espalhar bactérias por diferentes superfícies.

Uma discussão nas redes reacendeu esse hábito bastante comum nas cozinhas brasileiras. (créditos: Shutterstock)

Uma discussão nas redes sociais reacendeu uma velha polêmica na cozinha: lavar ou não o frango cru antes de cozinhar. Em uma publicação X, antigo Twitter, uma usuária afirma que não abre mão de lavar o frango e diz que costuma fervê-lo e retirar o “ranço” com limão e vinagre.

O comentário, porém, vai além de uma questão de higiene na cozinha. Apesar da sensação de limpeza, a prática está longe de ser higiênica e pode espalhar bactérias pela pia, bancada, utensílios e outros alimentos.

Por que não é recomendado lavar o frango cru?

Muita gente lava o frango porque acredita que a água remove sujeiras, sangue e bactérias da superfície. Esse é um dos mitos mais comuns relacionados ao preparo da carne.

O problema é que a água não elimina de forma segura os microrganismos que podem estar presentes no alimento. Algumas bactérias não são removidas simplesmente com a lavagem. Ao mesmo tempo, outras podem ser carregadas pelas gotas de água e pelos respingos.

Na prática, a pia pode virar o ponto de partida para uma contaminação cruzada.

Ao lavar o frango na torneira, pequenas gotas podem atingir:

  • a pia;
  • a bancada;
  • torneira e utensílios;
  • esponjas e panos;
  • tábuas de corte;
  • outros alimentos que estejam próximos.

Por isso, as agências de segurança alimentar do mundo todo, como a própria Anvisa, reforçam que o frango cru não precisa ser lavado em água corrente. A recomendação existe justamente para evitar que os microrganismos presentes na carne e em seus líquidos sejam espalhados pela cozinha.

Limão e vinagre não “limpam” o frango

 Outro ponto da discussão é o uso de limão ou vinagre para higienizar a carne. Eles podem até fazer parte de uma marinada para trazer mais sabor ao frango, mas isso não significa que estejam desinfetando o alimento.

O vinagre, por exemplo, não deve ser tratado como sanitizante para eliminar os microrganismos presentes no frango cru. Segundo a Anvisa, o ácido acético presente no produto, nas concentrações comuns, não tem eficácia para essa finalidade.

Por isso, colocar limão ou vinagre sobre o frango não substitui o cozimento adequado.

Frango cru pode carregar bactérias que se espalham facilmente pelos respingos de água. (créditos: Shutterstock)

O que é frango rançoso?

“Rançoso” é um termo usado para descrever alterações principalmente relacionadas à oxidação das gorduras. O processo pode provocar cheiro e sabor desagradáveis, muitas vezes descritos como fortes, amargos ou semelhantes a óleo velho.

Mas é importante não confundir as coisas.

Frango rançoso não é sinônimo de frango cru. Se a carne apresentar odor anormal, aparência muito alterada, textura viscosa ou sinais de deterioração, o mais seguro é descartar o alimento e não tentar “recuperá-lo” com temperos, limão, vinagre ou lavagem.

O que realmente ajuda a reduzir os riscos ao preparar frango cru

Frango cru pode carregar microrganismos capazes de causar doenças transmitidas por alimentos, como Salmonella, Campylobacter e Clostridium perfringens. Isso não significa que toda carne esteja contaminada ou que comer frango seja perigoso. O ponto principal está no manuseio e no cozimento correto.

As altas temperaturas do cozimento já são capazes de eliminar bactérias nocivas presentes na carne. Para garantir a segurança, a recomendação é que o frango atinja 74 °C (165 °F) na parte mais interna. 

O problema pode surgir quando os líquidos da carne entram em contato com alimentos que serão consumidos crus, como saladas, frutas e outros ingredientes. Esse tipo de contaminação cruzada pode espalhar microrganismos para diferentes superfícies e alimentos.

Por isso, o ideal é retirá-lo da embalagem e levá-lo diretamente ao preparo, sem passar pela torneira. Também é importante lavar bem as mãos com água e sabão antes e depois de manipular o frango. Mantenha a carne crua longe de alimentos que já estão prontos para o consumo e não use a mesma tábua ou faca para preparar alimentos que serão consumidos sem cozimento.

Depois do preparo, lave utensílios, tábuas, bancadas e outras superfícies que tiveram contato com a carne.

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