Apesar da sensação de limpeza, a prática pode espalhar bactérias por diferentes superfícies.
Uma discussão nas redes sociais reacendeu uma velha polêmica na cozinha: lavar ou não o frango cru antes de cozinhar. Em uma publicação X, antigo Twitter, uma usuária afirma que não abre mão de lavar o frango e diz que costuma fervê-lo e retirar o “ranço” com limão e vinagre.
O comentário, porém, vai além de uma questão de higiene na cozinha. Apesar da sensação de limpeza, a prática está longe de ser higiênica e pode espalhar bactérias pela pia, bancada, utensílios e outros alimentos.
Por que não é recomendado lavar o frango cru?
Muita gente lava o frango porque acredita que a água remove sujeiras, sangue e bactérias da superfície. Esse é um dos mitos mais comuns relacionados ao preparo da carne.
O problema é que a água não elimina de forma segura os microrganismos que podem estar presentes no alimento. Algumas bactérias não são removidas simplesmente com a lavagem. Ao mesmo tempo, outras podem ser carregadas pelas gotas de água e pelos respingos.
Na prática, a pia pode virar o ponto de partida para uma contaminação cruzada.
Ao lavar o frango na torneira, pequenas gotas podem atingir:
- a pia;
- a bancada;
- torneira e utensílios;
- esponjas e panos;
- tábuas de corte;
- outros alimentos que estejam próximos.
Por isso, as agências de segurança alimentar do mundo todo, como a própria Anvisa, reforçam que o frango cru não precisa ser lavado em água corrente. A recomendação existe justamente para evitar que os microrganismos presentes na carne e em seus líquidos sejam espalhados pela cozinha.
Limão e vinagre não “limpam” o frango
Outro ponto da discussão é o uso de limão ou vinagre para higienizar a carne. Eles podem até fazer parte de uma marinada para trazer mais sabor ao frango, mas isso não significa que estejam desinfetando o alimento.
O vinagre, por exemplo, não deve ser tratado como sanitizante para eliminar os microrganismos presentes no frango cru. Segundo a Anvisa, o ácido acético presente no produto, nas concentrações comuns, não tem eficácia para essa finalidade.
Por isso, colocar limão ou vinagre sobre o frango não substitui o cozimento adequado.
O que é frango rançoso?
“Rançoso” é um termo usado para descrever alterações principalmente relacionadas à oxidação das gorduras. O processo pode provocar cheiro e sabor desagradáveis, muitas vezes descritos como fortes, amargos ou semelhantes a óleo velho.
Mas é importante não confundir as coisas.
Frango rançoso não é sinônimo de frango cru. Se a carne apresentar odor anormal, aparência muito alterada, textura viscosa ou sinais de deterioração, o mais seguro é descartar o alimento e não tentar “recuperá-lo” com temperos, limão, vinagre ou lavagem.
O que realmente ajuda a reduzir os riscos ao preparar frango cru
Frango cru pode carregar microrganismos capazes de causar doenças transmitidas por alimentos, como Salmonella, Campylobacter e Clostridium perfringens. Isso não significa que toda carne esteja contaminada ou que comer frango seja perigoso. O ponto principal está no manuseio e no cozimento correto.
As altas temperaturas do cozimento já são capazes de eliminar bactérias nocivas presentes na carne. Para garantir a segurança, a recomendação é que o frango atinja 74 °C (165 °F) na parte mais interna.
O problema pode surgir quando os líquidos da carne entram em contato com alimentos que serão consumidos crus, como saladas, frutas e outros ingredientes. Esse tipo de contaminação cruzada pode espalhar microrganismos para diferentes superfícies e alimentos.
Por isso, o ideal é retirá-lo da embalagem e levá-lo diretamente ao preparo, sem passar pela torneira. Também é importante lavar bem as mãos com água e sabão antes e depois de manipular o frango. Mantenha a carne crua longe de alimentos que já estão prontos para o consumo e não use a mesma tábua ou faca para preparar alimentos que serão consumidos sem cozimento.
Depois do preparo, lave utensílios, tábuas, bancadas e outras superfícies que tiveram contato com a carne.
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