A especialista defende a adaptação da planta da casa à vida real e não a costumes herdados
Durante décadas, a mesa de jantar ocupou um lugar muito especial nas casas. Era grande, robusta e geralmente rodeada por cadeiras que passavam mais tempo vazias do que ocupadas. Mas as casas mudaram, a metragem quadrada diminuiu e as rotinas domésticas já não funcionam da mesma maneira.
Agora, o café da manhã é tomado em frente a um laptop, o jantar é apressado em um bar e reuniões improvisadas acontecem onde costumam ser o lugar das refeições. Os hábitos modernos e as formas de se alimentar estão começando a entrar em conflito mais do que parece.
A designer de interiores Laura Martínez refletiu sobre essa questão em uma entrevista publicada pelo jornal La Vanguardia . “Não faz sentido perder metade de uma sala de estar por causa de uma mesa de jantar que só é usada três vezes por ano”, aponta a especialista, questionando a manutenção automática de certos móveis, guardados mais pelo hábito do que por sua utilidade real.
Por que já não vale mais tanto a pena manter uma mesa de jantar?
Como ela explica, muitas pessoas mantêm grandes mesas familiares, mesmo que a maior parte das refeições seja feita na cozinha ou em outros locais da casa. Martínez insiste que o problema não é ter uma sala de jantar, mas sim sacrificar um espaço valioso em casas pequenas para manter um cômodo que quase não é usado. Pensar nisso é especialmente importante em cidades onde os preços dos imóveis obrigam as pessoas a otimizar cada canto como se fosse bagagem de mão antes de embarcar em um voo.
Em apartamentos pequenos, é muito mais útil ganhar em amplitude visual, espaço de armazenamento ou até mesmo um escritório confortável em casa do que manter um canto formal reservado para duas refeições em família por ano.
Atualmente, a área útil e a funcionalidade no dia a dia são prioridades absolutas. Uma resposta clara a isso, é que as reformas atuais têm se concentrado cada vez mais na integração de espaços, na eliminação de barreiras visuais e na adaptação das casas para múltiplos usos.
Abrigos do dia a dia
A sala de estar deixou de ser apenas um lugar para sentar em frente à televisão, e a sala de jantar deixou de ser um espaço puramente cerimonial. As casas agora funcionam como escritórios improvisados, espaços sociais e refúgios do dia a dia, tudo ao mesmo tempo. Espaços flexíveis e plantas abertas dominam muitas reformas recentes.
Da mesma forma, muitas pessoas têm receio de usar a mesa "boa" — aquela protegida com toalhas de mesa especiais, limpa com ansiedade preventiva e aparentemente reservada para eventos diplomáticos. Martínez argumenta exatamente o oposto: se uma mesa mostra desgaste, é porque houve vida ao seu redor.
Conversas, refeições rápidas, cafés improvisados ou discussões familiares. Móveis que foram usados diariamente trazem muito mais significado a uma casa do que a perfeição estática. Outro problema crucial é a duplicação desnecessária dos espaços da cozinha e da sala de jantar.
Muitas casas têm duas mesas separadas, embora a principal raramente seja usada, especialmente em cozinhas integradas, onde a conexão visual entre os espaços já cumpre grande parte da função social da antiga sala de jantar separada. Talvez seja melhor repensar a sua sala de jantar, não é mesmo?!
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