Ele inventou a cápsula Nespresso, uma ideia que rendeu bilhões à Nestlé; no entanto, ele não viu um centavo disso e não ficou rico
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Por  Joanna  | Redatora

Quem a vê assumindo o papel de chef nas viagens com os amigos não imagina que a Joanna descobriu o seu talento com as panelas reproduzindo receitas do Instagram e TikTok. Tornou-se expert em receitas na prática e, agora, também é a grande responsável pelas sobremesas nos almoços em família

A história por trás da cápsula que mudou o jeito de preparar café.

Uma viagem à Itália ajudou o engenheiro suíço a encontrar a inspiração para desenvolver seu sistema de café em cápsulas. (créditos: Shutterstock)

Éric Favre ajudou a transformar a maneira como milhões de pessoas preparam café. Engenheiro suíço da Nestlé, ele desenvolveu o sistema de cápsulas que daria origem à Nespresso, uma das marcas de café mais conhecidas do mundo. Mas sua trajetória teve um detalhe curioso. Ele não recebeu royalties pelo sucesso comercial das cápsulas e, segundo relatos sobre sua história, deixou a empresa com apenas três meses de salário.

A invenção começou com uma provocação dentro de casa, passou por uma viagem à Itália e enfrentou a resistência dos próprios superiores de Favre. Anos depois, o sistema se transformaria em um negócio global. Esta é a história do engenheiro que ajudou a criar uma das maiores revoluções do mercado de café.

A cápsula Nespresso nasceu de um desafio da esposa de Éric Favre

Tudo começou em 1975. Formado em engenharia pela Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça, Éric Favre começou a trabalhar na Nestlé, no departamento de embalagens. Sua esposa, Anna-Maria, era italiana e apaixonada por café. Ela costumava provocar o marido suíço sobre seus conhecimentos a respeito do verdadeiro espresso italiano. O comentário acabou dando origem a um desafio.

O casal viajou pela Itália em busca de bons cafés e, em Roma, Favre observou atentamente o trabalho de um barista no Caffè Sant'Eustachio. O engenheiro percebeu que a água era introduzida no café de maneira intermitente e começou a pensar que aquele processo poderia ser reproduzido em uma máquina doméstica.

De volta à Suíça, Favre passou a trabalhar na ideia. A observação feita em Roma levou-o a desenvolver um sistema capaz de incorporar mais ar à água antes que ela passasse pelo café.

Segundo a House of Switzerland, o engenheiro resumia o princípio em uma fórmula simples: "espuma = ar + água + óleo de café".

Mesmo depois de deixar a Nestlé, Éric Favre continuou desenvolvendo tecnologias relacionadas às cápsulas de café. (créditos: Shutterstock)

Ele então começou a desenvolver uma cápsula selada capaz de reter o ar antes da entrada da água pressurizada. Hoje, a ideia parece simples. Na década de 1970, porém, ela ainda estava longe de convencer todo mundo.

A Nestlé não acreditava inicialmente no potencial da invenção

Na época, a Nestlé tinha forte atuação no mercado de café instantâneo, principalmente com o Nescafé. A ideia de investir em máquinas de espresso para uso doméstico não parecia tão óbvia para a empresa. Favre, no entanto, continuou insistindo no projeto.

Em uma entrevista concedida em 2017 à Infoméduse, o engenheiro contou que seus superiores o consideravam um funcionário difícil de controlar e chegou a dizer que sentia que havia um desejo de se livrar dele.

Apesar da resistência, o projeto continuou avançando. Favre trabalhou no desenvolvimento do sistema com a fabricante suíça Turmix e registrou uma patente relacionada à cápsula em 1976.

O documento da patente é um detalhe importante da história. Éric Favre aparece como inventor, enquanto a Nestlé é identificada como titular da patente. Ele desenvolveu a tecnologia enquanto trabalhava para a empresa.

Foram necessários vários anos até que a ideia deixasse de ser apenas um projeto e se transformasse em um produto comercial.

A Nespresso transforma a cápsula em um negócio global

A cápsula criada por Favre foi patenteada em 1976 e posteriormente utilizada no sistema Nespresso. (créditos: Shutterstock)

Os primeiros testes do sistema foram realizados em diferentes países, incluindo Suíça, Itália e Japão. Em 1986, a Nestlé lançou oficialmente a Nespresso. O conceito ia muito além de simplesmente vender café. A empresa passou a comercializar máquinas e cápsulas e construiu uma experiência de consumo voltada para o mercado premium.

O modelo também estimulava o consumidor a comprar novas cápsulas regularmente. Aos poucos, a marca criou boutiques próprias e passou a associar o café a uma imagem sofisticada e internacional.

Décadas depois, a Nespresso se tornaria conhecida mundialmente e teria entre seus embaixadores nomes como George Clooney, David Beckham e Dua Lipa. A pequena cápsula desenvolvida por Favre havia se transformado em um negócio muito maior do que o projeto imaginado por ele na década de 1970.

O inventor não recebeu royalties pela invenção

É justamente nessa parte da história que surge o maior contraste. Favre era funcionário da Nestlé quando desenvolveu a tecnologia. A patente relacionada ao sistema foi registrada em nome da empresa, e ele não tinha a mesma posição de um inventor independente que criasse uma tecnologia e posteriormente explorasse comercialmente a própria patente.

Segundo relatos publicados posteriormente sobre sua trajetória, o engenheiro também não recebeu royalties pelas vendas das cápsulas. Em entrevista concedida ao Le Nouvel Obs em 2025, Favre afirmou que deixou a Nestlé com apenas três meses de salário. Assim, apesar de ter participado da criação da tecnologia que ajudaria a impulsionar a Nespresso, ele não acumulou uma fortuna proporcional ao sucesso que a marca alcançaria.

Éric Favre continuou trabalhando com cápsulas depois da Nestlé

A história, porém, não terminou quando Favre deixou a Nestlé. Depois de sua saída, o engenheiro continuou trabalhando com tecnologias relacionadas às cápsulas. Em 1991, registrou uma patente para o sistema Monodor e passou a desenvolver uma nova geração de cápsulas.

Sua trajetória também acabou envolvendo disputas relacionadas a patentes e propriedade intelectual com a Nestlé. Segundo a House of Switzerland, as duas partes chegaram a um acordo em 2003, durante a gestão de Peter Brabeck à frente do grupo.

Favre continuou empreendendo no setor e criou empresas relacionadas à tecnologia de cápsulas. Em 2015, aos 68 anos, vendeu seus negócios.

A ideia que começou depois de uma provocação da esposa durante uma viagem à Itália acabou contribuindo para transformar a Nespresso em uma marca global.

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