A água gaseificada é uma alternativa mais saudável aos refrigerantes, mas alguns cuidados com seu consumo evitam que ela vire uma cilada em muitos casos
A água com gás vem conquistando cada vez mais espaço na rotina dos brasileiros, especialmente de quem busca uma alternativa mais saudável aos refrigerantes. No entanto, por causa das bolhas e da leve acidez da bebida, muita gente ainda se pergunta se ela pode desgastar o esmalte dos dentes ao longo do tempo.
A boa notícia é que, segundo especialistas em saúde bucal, a preocupação costuma ser maior do que o risco real. Embora a água gaseificada seja um pouco mais ácida do que a água sem gás, seu impacto sobre os dentes é considerado mínimo. Mas há outro aspecto que merece atenção ao incluir essa bebida gasosa na rotina.
Afinal, a água com gás pode prejudicar os dentes?
Durante o processo de carbonatação, que é o que gera o gás da bebida, o dióxido de carbono é dissolvido na água, formando uma pequena quantidade de ácido carbônico. Isso reduz o pH da bebida em comparação com a água mineral comum, ou seja, ela fica mais ácida. Apesar disso, a diferença não é suficiente para causar danos significativos nos dentes.
Algumas pesquisas realizadas com dentes extraídos compararam os efeitos da água comum e da água com gás sobre o esmalte dentário. O resultado mostrou que ambas tiveram praticamente o mesmo impacto, indicando que a água gaseificada natural é pouco corrosiva para os dentes. Em outras palavras, as bolhas ou a acidez não representam um problema para a saúde bucal, mesmo quando a bebida é consumida de forma habitual.
O pH explica por que a bebida é considerada segura
Entender o pH ajuda a esclarecer por que a água com gás não é vista como uma ameaça ao sorriso.
A água mineral sem gás possui pH próximo de 7, considerado neutro. Já a água com gás costuma apresentar um pH em torno de 5,2, tornando-se apenas levemente ácida. De acordo com a ADA, esse nível de acidez é classificado como minimamente corrosivo.
Para efeito de comparação, bebidas como o suco de cranberry apresentam pH próximo de 2,5, sendo muito mais ácidas e potencialmente mais agressivas ao esmalte dental. Refrigerantes também entram nessa categoria, pois combinam alta acidez com grandes quantidades de açúcar, aumentando o risco de erosão e de cáries.
O cuidado deve ser maior com as águas com gás aromatizadas
Se a água com gás natural costuma ser uma escolha segura, o mesmo nem sempre vale para as versões saborizadas.
Bebidas com sabores cítricos, como limão, laranja ou grapefruit, geralmente contêm ácidos adicionais que reduzem ainda mais o pH. Com isso, o potencial de desgaste do esmalte aumenta, especialmente quando são consumidas aos poucos durante várias horas do dia.
Além disso, algumas marcas adicionam açúcar às versões aromatizadas. Nesse caso, o risco deixa de estar relacionado apenas à acidez e passa a envolver também a proliferação das bactérias responsáveis pelas cáries.
Por isso, vale a pena conferir o rótulo antes da compra e dar preferência às opções sem açúcar e sem adição de acidulantes.
Como consumir água com gás sem prejudicar a saúde bucal?
Para quem aprecia a bebida, não há motivo para eliminá-la da alimentação. Alguns cuidados simples ajudam a proteger ainda mais os dentes:
Prefira água com gás natural, sem açúcar e sem aromatizantes.
Evite ficar "beliscando" a bebida ao longo de todo o dia, prolongando o contato com os dentes.
Mantenha uma boa rotina de higiene bucal, com escovação e uso do fio dental.
Dê preferência à água com gás em vez dos refrigerantes quando quiser uma bebida refrescante.
No fim das contas, os dentistas concordam que a água com gás natural está longe de ser uma das maiores vilãs da saúde bucal. O verdadeiro perigo continua sendo o consumo frequente de bebidas açucaradas e altamente ácidas, que favorecem tanto o desgaste do esmalte quanto o aparecimento de cáries.