Com mais de 2 mil espécies de frutas raras e exóticas, um sítio no Sul de Santa Catarina chama atenção por reunir variedades de vários continentes.
Em uma área rural de Meleiro, no Sul de Santa Catarina, um sítio tem despertado a curiosidade de amantes da natureza e da fruticultura. O motivo é impressionante: o local abriga mais de 2 mil espécies de frutas raras e exóticas vindas de diferentes regiões do Brasil e de países da Ásia, África e Europa.
O espaço, que ainda passa por um processo de estruturação, já recebe visitantes interessados em conhecer exemplares pouco comuns e descobrir sabores difíceis de encontrar até mesmo em mercados especializados. Entre as atrações está a famosa “Fruta dos milagres”, originária da África e conhecida por alterar temporariamente a percepção do paladar, fazendo alimentos ácidos parecerem doces.
O projeto começou há cerca de 12 anos e transformou uma propriedade familiar em um verdadeiro acervo vivo de biodiversidade, reunindo espécies raras, plantas ameaçadas de extinção e variedades que surpreendem pela aparência e história.
Paraíso para quem gosta de frutas raras
A coleção começou a ser formada por Eliton Topanotti em um terreno herdado pela família. Ao longo dos anos, sementes e mudas foram chegando de diferentes estados brasileiros, especialmente das regiões Norte e Nordeste, além de países de diversos continentes.
O resultado é uma impressionante variedade de espécies. Entre elas estão frutas com nomes curiosos, como gogó de guariba e moela de mutum, além de variedades amazônicas que ainda estão em fase de identificação. Algumas plantas exigem muita paciência dos cultivadores, já que podem levar até 18 anos para começar a produzir frutos.
O sítio também se destaca pela diversidade de espécies de uma mesma família. São cerca de 80 variedades de jabuticaba e mais de 200 espécies de eugênias, grupo que inclui frutas como pitanga, uvaia e cerejas nativas. Além do valor gastronômico, muitas dessas plantas são preservadas como parte de um importante banco genético.
Os desafios de cultivar espécies de diferentes partes do mundo
Manter uma coleção tão extensa exige dedicação diária. Um dos maiores desafios enfrentados pelos proprietários é o clima da região catarinense, especialmente durante os meses mais frios.
Muitas das espécies cultivadas se desenvolvem melhor em temperaturas entre 26°C e 35°C. Quando expostas a geadas ou longos períodos de frio, algumas acabam não resistindo. Além das condições climáticas, o controle de pragas e fungos faz parte da rotina de cuidados.
Técnicas como enxertia e alporquia também são utilizadas para aumentar as chances de adaptação e reprodução de determinadas espécies, contribuindo para a preservação de plantas raras e difíceis de encontrar.
Turismo rural e contato direto com a natureza
Com a repercussão nas redes sociais, o sítio começou a atrair visitantes interessados em viver uma experiência diferente em meio à natureza. O terreno possui uma grande área de cultivo e, segundo os proprietários, seriam necessários pelo menos três dias para conhecer todas as espécies com calma.
Atualmente, a visitação ainda acontece de forma controlada, já que a estrutura segue em desenvolvimento. Entre os planos futuros estão a criação de áreas de apoio para turistas, trilhas organizadas e até mesmo uma cabana para hospedagem.
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