Um estudo japonês investigou o que acontece quando pessoas passam apenas cinco minutos sentindo o aroma da bebida recém-preparada.
O cheiro de café recém-passado pode fazer parte da rotina de milhões de pessoas, mas será que é preciso tomar a bebida para sentir algum efeito? Um estudo realizado no Japão investigou justamente essa possibilidade e encontrou mudanças no humor e em determinados padrões de atividade cerebral após apenas cinco minutos de exposição ao aroma.
O que acontece depois de sentir o cheiro do café?
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Farmácia Showa, no Japão, e publicada na revista científica Nutrients. Os participantes permaneceram diante de uma xícara de café recém-preparado durante cinco minutos, sem consumir a bebida.
Nesse período, os pesquisadores acompanharam diferentes parâmetros, incluindo o estado de humor, a atividade cerebral e indicadores relacionados ao funcionamento cardíaco. Os resultados apontaram uma redução em sentimentos negativos relatados pelos participantes.
Entre os aspectos avaliados estavam fadiga, tensão, ansiedade, confusão, irritabilidade e sentimentos associados à depressão. Após a exposição ao aroma, esses indicadores apresentaram redução. Por outro lado, não houve aumento significativo na sensação de vitalidade.
Isso significa que o cheiro do café não necessariamente deixou os participantes mais “energizados”, como poderia acontecer após o consumo da cafeína. O efeito observado esteve mais relacionado à diminuição de sensações negativas.
Aroma também foi associado a mudanças no cérebro
Além das respostas relacionadas ao humor, os cientistas observaram alterações em um índice de relaxamento calculado a partir dos padrões registrados por eletroencefalografia, exame que acompanha a atividade elétrica do cérebro.
Apesar desse resultado, os pesquisadores não identificaram mudanças estatisticamente significativas na frequência cardíaca ou na variabilidade da frequência cardíaca. Também não foi encontrada uma relação clara entre o quanto o humor de uma pessoa melhorou e a intensidade da alteração registrada na atividade cerebral.
Por isso, os resultados precisam ser interpretados com cautela. O estudo aponta uma associação entre a exposição ao aroma e determinadas mudanças, mas não comprova que cinco minutos sentindo cheiro de café provoquem necessariamente relaxamento ou melhora do humor em todas as pessoas.
Por que o cheiro pode provocar essas sensações?
Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores envolve a própria maneira como o olfato se relaciona com regiões cerebrais ligadas às emoções e às memórias.
O aroma do café pode estar associado a experiências cotidianas, como acordar pela manhã, fazer uma pausa durante o trabalho, encontrar amigos ou simplesmente esperar pelo primeiro gole da bebida. Essas associações podem influenciar a maneira como o cérebro reage ao cheiro.
Os autores também consideraram resultados de pesquisas anteriores sobre aromas semelhantes aos do café e desempenho em determinadas tarefas. Nesse contexto, expectativas e experiências anteriores podem ter contribuído para as respostas observadas.
Assim, o estudo japonês oferece uma pista interessante sobre como um aroma tão familiar pode estar relacionado ao humor e à atividade cerebral, mas ainda são necessárias pesquisas para entender melhor esse mecanismo e determinar até que ponto esses efeitos podem ser generalizados.
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