Eles eram engenheiros agrônomos, moravam em uma tenda e tinham só 6 cabras: hoje produzem queijos e outros produtos premiados
Por  Amanda Lopes  | Redatora

Fascinada por MasterChef, culinária nordestina, pratos empanados, receitas rápidas e drinks diferentes, Amanda não abre mão de um bom cafezinho acompanhado de água com gás após o almoço, mesmo nos dias quentes.

Eles tinham apenas seis cabras e nenhuma experiência na criação, mas decidiram arriscar.

Anos depois, o casal de engenheiros agrônomos vive da produção artesanal. (Créditos: @granjaverbenacordoba/ reprodução Instagram)

O que começou com apenas seis cabras e poucos recursos se transformou em uma produção artesanal premiada na Argentina. Dois engenheiros agrônomos apostaram no negócio sem experiência no setor e hoje fabricam queijos reconhecidos em concursos nacionais.

De seis cabras a uma produção premiada

A entrada de Juan Ignacio Rodríguez e Soledad Rumbo no mundo das cabras aconteceu quase por acaso. Os dois são engenheiros agrônomos e procuravam uma maneira de abrir o próprio negócio depois de anos trabalhando para outras pessoas.

Instalados em Yacanto Abajo, na província de Córdoba, Argentina, eles chegaram a pensar em montar um viveiro de plantas, mas desistiram por causa da escassez de água. Foi então que uma visita de um familiar a uma fazenda de cabras despertou uma nova possibilidade.

No mês seguinte, o casal comprou as primeiras seis cabras leiteiras. A decisão foi tomada praticamente no impulso, sem pesquisa de mercado ou experiência com criação desses animais. “Acho que é preciso arriscar na vida, senão você fica estagnado”, afirma Soledad. Ao mesmo tempo, ela reconhece que apostar na criação de cabras foi uma das decisões mais imprudentes de sua vida.

“Foi tipo, ‘Olá cabra, eu sou a Soledad, quero te conhecer’”, brinca a empreendedora, lembrando que a universidade não havia ensinado o casal a cuidar daqueles animais. Eles compraram outras três cabras que precisavam ser ordenhadas imediatamente. Sem saber exatamente como fazer o procedimento, contaram com a ajuda de uma vizinha.

Entre os primeiros animais estavam Amanda, Lila e Sara, nomes que Soledad ainda recorda com carinho. Em pouco tempo, os cerca de três litros de leite produzidos diariamente ultrapassaram o consumo da família. Foi então que surgiu a ideia de transformar o excedente em doce de leite.

Do doce de leite aos queijos premiados

A primeira produção foi feita em casa, em uma pequena panela. Sem rótulos sofisticados, os potes foram levados para uma feira em Villa Las Rosas, onde Soledad já tinha uma barraca de cerâmica. O produto acabou rapidamente. “Tenho clientes hoje que compram de mim desde aquele primeiro doce de leite”, conta.

A partir daí, o negócio cresceu. Em 2012, o casal chegou à propriedade onde vive atualmente. Durante um período, eles chegaram a morar em uma tenda e posteriormente construíram a própria residência.

Hoje, a Granja Verbena conta com cerca de 60 cabras, sendo aproximadamente 50 matrizes, e produz queijos artesanais e doce de leite exclusivamente com leite de cabra.

Para entrar no mercado de queijos, o casal precisou buscar conhecimento. Fizeram cursos no INTI (Instituto Nacional de Tecnologia Industrial), receberam orientação técnica de Jorge Picotti e posteriormente ampliaram a formação na Fromagelier.

Possuem produtos premiados e vendidos em restaurantes renomados da Argentina. (Créditos: @granjaverbenacordoba/ reprodução Instagram)

Uma produção voltada ao mercado gourmet

Segundo ela, os consumidores também compram a história por trás da produção. Atualmente, a Granja Verbena fabrica cerca de dez variedades de queijos, entre versões duras, semiduras e maturadas com mofo.

Entre os produtos estão o Chuncano, o Monte e o Champaquí, além dos queijos de pasta mole Pedro, inspirado no Camembert, e Emilia, no estilo Crottin.

O reconhecimento veio em concursos especializados. O Monte conquistou medalhas de prata no Concurso Nacional de Queijos de Totoras em 2023 e 2025, enquanto o Champaquí recebeu ouro em 2023 e 2024. Pedro também foi medalha de ouro em 2023 e 2024, e Emilia foi eleito Queijo do Ano em 2025, com pontuação máxima de 100/100.

O que começou com seis cabras, uma panela e poucos recursos se transformou, uma década depois, em uma produção artesanal premiada e com presença em restaurantes argentinos renomados, como Don Julio, Anchoita, Corte Charcutería e Los Galgos.

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Com 101 anos, ela deixou a vida de aposentada e voltou a trabalhar como caixa: vai dirigindo, mora sozinha, faz de tudo para manter o contato com pessoas e tem um conselho que chama a atenção

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