Crianças dos anos 90 cresceram tomando esse remédio para abrir o apetite e só agora muita gente descobriu o que realmente havia nele
Por  Stephany Mariano  | Redatora

Como uma verdadeira taurina, Stephany sempre foi apaixonada por comida. No tempo livre, gosta de assistir um k-drama bem clichê, viajar, experimentar novos sabores e fotografar tudo o que encontra por aí.

Produto marcou a infância de muitos brasileiros, mas chegou a ser proibido e precisou mudar de fórmula

Entenda a polêmica por trás do produto que surgiu no século 20 e fez sucesso no Brasil (Créditos: Magnific)

Se você cresceu entre os anos 90 e 2000 deve se lembrar de um tônico fortificante que ficou famoso por prometer estimular o apetite das crianças e ajudar no tratamento da anemia

O chamado Biotônico Fontoura foi criado em 1910 e continha ervas, minerais e plantas consideradas medicinais, ganhando popularidade com o slogan “regenera o sangue, tonifica os músculos, fortalece os nervos". Com o tempo, o produto começou a fazer parte da rotina de muitas crianças, mas o tônico chegou a ser proibido por conter um ingrediente polêmico. 

Por que o Biotônico Fontoura foi proibido e precisou mudar de fórmula?

A fórmula original do produto, que havia sido criada inicialmente para adultos e só mais tarde passou a ser direcionada ao público infantil, continha álcool em sua composição. Eram cerca de 9,5% de etanol, uma concentração semelhante à encontrada em bebidas como espumante e até superior à de muitas cervejas vendidas no país.

Mas tudo mudou em 2001, quando o governo federal proibiu a presença de álcool em tônicos, fortificantes e estimulantes de apetite. Com a nova regulamentação, todos os produtos brasileiros dessa categoria, incluindo o Biotônico Fontoura, precisaram reformular suas receitas para permanecer no mercado.

A partir de então, o álcool deixou de fazer parte da composição do produto e outros ingredientes foram adicionados, como canela, mirra e babosa. Em 2017, a marca também investiu no lançamento de versões com sabores de uva e morango. 

Mudança na fórmula só aconteceu após proibição do governo federal em 2001 (Créditos: Imagem gerada por IA)

O caso, em certa medida, foi importante para a evolução da saúde pública no Brasil, especialmente em uma época em que a indústria do ramo era basicamente de tônicos, ervas e elixires.

Além de tornar esses produtos mais seguros, a medida acompanhou a evolução das normas sanitárias brasileiras, que passaram a exigir maior comprovação de segurança e eficácia para esse tipo de produto. Apesar da polêmica na época, muitas pessoas só descobriram depois de muitos anos que o tônico continha álcool em sua composição. 

Como o tônico surgiu e ficou popular?

O Biotônico Fontoura surgiu no início do século 20, criado pelo farmacêutico Cândido Fontoura para ajudar sua esposa, Elvira, que sofria com constantes episódios de fraqueza. A fórmula original combinava sais de ferro, fosfatos e vinho espanhol e foi desenvolvida como um fortificante para pessoas de todas as idades.

Com o passar dos anos, o produto passou a ser direcionado principalmente ao público infantil e ganhou enorme popularidade graças a uma campanha publicitária com o personagem Jeca Tatuzinho, inspirado no Jeca Tatu, de Monteiro Lobato.

Em uma época marcada pela desnutrição, pela alta incidência de verminoses e pela falta de saneamento básico no Brasil, o Biotônico Fontoura ficou conhecido como um aliado para combater a fraqueza e estimular o apetite, tornando-se um dos medicamentos mais famosos do país.

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