Nativa do Sul do país, a feijoa tem sabor marcante e conquistou espaço na gastronomia de países como Nova Zelândia e Colômbia
Ela tem casca verde, polpa macia e um aroma que pode lembrar abacaxi, banana e frutas vermelhas. Embora seja pouco conhecida por aqui, essa fruta brasileira conquistou admiradores em diferentes partes do mundo e hoje faz parte de tradições culinárias em países como Nova Zelândia e Colômbia.
Nativa do Sul do Brasil, essa espécie está ligada à biodiversidade da floresta de Araucárias e foi apreciada há muito tempo por povos indígenas da região. Porém, mesmo sendo daqui, ela continua praticamente desconhecida dos brasileiros. Estamos falando da feijoa, também chamada de goiaba-serrana.
Pequeno tesouro nacional que viajou o mundo
A fama internacional da feijoa começou no século XIX, quando naturalistas europeus passaram a estudar a biodiversidade brasileira. O botânico alemão Friedrich Sellow enviou amostras da planta para a Europa, que posteriormente foi catalogada por Otto Berg. O nome científico Feijoa sellowiana homenageou Sellow e o naturalista brasileiro José da Silva Feijó.
Algumas décadas depois, ela começou a ser cultivada na França e, mais tarde, chegou aos Estados Unidos. A partir daí, a planta se espalhou para outros países, entre eles Nova Zelândia e Colômbia. O clima desses países favoreceu sua adaptação e, com o tempo, ela ganhou espaço na agricultura e na culinária local.
O mais curioso é que, na Nova Zelândia, a feijoa pode ser encontrada em quintais, jardins e plantações comerciais. Em algumas comunidades, ela é tão comum que moradores deixam caixas com os frutos na frente de casa para que vizinhos possam pegar. Ou seja, por lá, a feijoa deixou de ser apenas uma fruta para se tornar parte da cultura alimentar, sendo utilizada em geleias, sorvetes, sucos, bebidas e outras receitas.
E por que ela não é conhecida no Brasil?
No Brasil, a falta de conhecimento sobre o cultivo e, principalmente, de uma cadeia produtiva estruturada dificultou a popularização da feijoa ao longo dos anos. Isso se explica provavelmente pelo fato de as plantas se adaptarem apenas a regiões de clima frio e altitude elevada, além de levarem de três a cinco anos para começarem a produzir.
Outro problema está na comercialização. A fruta não apresenta uma mudança de cor muito evidente quando amadurece e costuma cair da árvore no ponto de colheita. Ela também perde qualidade relativamente rápido, o que dificulta o transporte para regiões distantes.
Por isso, a produção nacional continua pequena e concentrada no Sul, principalmente em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No entanto, já existe um movimento para estimular a cultura de feijoa no país, o que pode abrir espaço para a fruta conquistar os consumidores brasileiros.
Sabor agradável e rica em nutrientes
Apesar do apelido de "goiaba-serrana", a feijoa não tem nenhuma relação com a goiaba tradicional (Psidium guajava). As duas frutas pertencem a gêneros diferentes e só compartilham uma pequena semelhança no visual.
Por fora, a casca da feijoa é firme, mas sua polpa é macia, úmida e levemente granulada, com pequenas sementes que podem ser consumidas. O sabor é doce e refrescante, com uma acidez suave e um perfume intenso que combina notas de abacaxi, banana, morango e outras frutas tropicais. Quando está bem madura, a polpa da feijoa fica tão cremosa que pode ser comida diretamente com uma colher.
Assim como outras frutas, a feijoa também pode contribuir para uma alimentação mais saudável. Afinal, ela é rica em fibras, vitamina C e compostos antioxidantes, nutrientes importantes para o bom funcionamento do organismo. Diante disso, pesquisas já investigam possíveis usos da fruta em suplementos.