Muita gente não sabe, mas batata-doce e batatas normais não parentes próximas, e a ciência explica o porquê
Por  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

Apesar das diferenças botânicas, os dois alimentos acabaram recebendo nomes parecidos

A batata comum e batata-doce pertencem a universos botânicos distintos (Crédito: Shutterstock)

Elas aparecem lado a lado no mercado, são preparadas de formas parecidas e até dividem o mesmo nome. Por isso, muita gente acredita que batata-doce e batata comum são apenas versões diferentes do mesmo alimento.

Na prática, porém, a ciência mostra que essa ideia não corresponde à realidade. Apesar da semelhança visual e do uso semelhante na cozinha, esses dois tipos de batata têm origens botânicas completamente distintas.

Batata comum e batata-doce pertencem a famílias de plantas diferentes

A batata tradicional usada em purês, fritas ou gratinados pertence à espécie Solanum tuberosum, que faz parte da família Solanaceae. Essa mesma família inclui alimentos muito conhecidos da culinária, como tomate, pimentão e berinjela. Trata-se de um grupo de plantas amplamente cultivado no mundo e que possui características botânicas próprias.

Já a batata-doce pertence à espécie Ipomoea batatas, da família Convolvulaceae, um grupo completamente diferente de plantas. Curiosamente, essa família inclui espécies que são mais próximas de trepadeiras e plantas ornamentais do que da batata comum. Ou seja, apesar do nome parecido, as duas plantas não compartilham a mesma origem botânica.

Essa diferença também aparece no aspecto das plantas no campo. As folhas, flores e até o modo de crescimento são bastante distintos entre as duas espécies. Enquanto a batata comum cresce como uma planta mais compacta, a batata-doce costuma desenvolver ramas mais longas e rasteiras, algo típico das plantas de sua família. 

A parte que comemos em cada uma delas também é diferente

Outro detalhe pouco conhecido é que a estrutura que comemos nesses alimentos não é a mesma do ponto de vista botânico. Embora ambos cresçam debaixo da terra e tenham formato semelhante, eles se formam de maneiras diferentes dentro da planta.

A batata comum é considerada um tubérculo, que na prática é um caule subterrâneo modificado. É por isso que ela apresenta os chamados “olhos”, aqueles pequenos pontos na superfície que podem gerar novos brotos. Esses olhos são, na verdade, gemas do caule capazes de dar origem a novas plantas.

Já a batata-doce é classificada como uma raiz tuberosa, ou seja, uma raiz que se expandiu para armazenar nutrientes. Como se trata de uma raiz e não de um caule, ela não possui os mesmos “olhos” característicos da batata comum. Essa diferença botânica é fundamental para entender como cada planta se desenvolve e se multiplica.

As diferenças também aparecem no sabor e na textura

Na cozinha, as diferenças entre batata comum e batata-doce ficam evidentes principalmente no sabor e na textura. A batata tradicional tem sabor mais neutro e costuma apresentar textura que pode variar de firme a mais farinácea, dependendo da variedade utilizada.

A batata-doce, por sua vez, possui sabor naturalmente mais adocicado e textura mais densa e cremosa quando cozida. Isso acontece porque ela contém uma quantidade maior de açúcares naturais e apresenta uma composição diferente de amidos.

Quando assada, por exemplo, a batata-doce tende a caramelizar mais facilmente, enquanto a batata comum costuma desenvolver uma superfície mais crocante. Essas propriedades influenciam diretamente o tipo de prato em que cada ingrediente costuma ser utilizado:

  • Batata comum: fritas, purês clássicos, nhoque, gratinados e saladas
  • Batata-doce: assados, chips, purês cremosos, pratos assados e receitas fitness

Mesmo assim, ambas continuam sendo extremamente versáteis e podem aparecer em inúmeras receitas diferentes.

Mas por que ambas receberam o nome “batata”

Apesar das diferenças botânicas, os dois alimentos acabaram recebendo nomes parecidos ao longo da história. Isso aconteceu principalmente durante o período de expansão europeia nas Américas, quando exploradores e colonizadores encontraram diferentes espécies cultivadas pelos povos indígenas.

Ao levar esses alimentos para a Europa, muitos deles foram agrupados sob nomes semelhantes por causa da aparência ou do modo de consumo. Como ambos cresciam debaixo da terra e eram utilizados de forma parecida na alimentação, o termo “batata” acabou sendo associado às duas plantas.

Com o avanço da botânica e da ciência agrícola, ficou claro que se tratavam de espécies diferentes e sem parentesco próximo. Ainda assim, o nome popular permaneceu e continua sendo usado até hoje na culinária e no dia a dia.

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