Médico mais velho do mundo, aos 102 anos: "Vi inúmeras dietas da moda surgirem e desaparecerem. Sempre aparece um novo estudo dizendo que determinado alimento faz bem ou faz mal. Não acredito que exista uma única dieta ideal para todo mundo"
Howard Tucker foi um neurologista norte-americano, considerado o médico mais velho em atividade no mundo
Passar dos 90 anos de idade ainda trabalhando já seria motivo suficiente de surpresa (e até espanto) para muita gente. Mas o neurologista norte-americano Howard Tucker foi além e continuou na ativa até os 100 anos, entrando para o Guinness World Records como o médico em atividade mais velho do mundo.
Com uma carreira iniciada em 1947, ele continuou ensinando estudantes, participando de casos médicos e compartilhando sua visão sobre longevidade até o fim de sua vida. Em entrevista à National Geographic, Tucker revelou quais hábitos considerava essenciais para viver mais e melhor – e deixou claro que não acreditava em soluções milagrosas.
O segredo da longevidade vai além da alimentação
Ao longo de mais de sete décadas na medicina, o neurologista destacou que viu incontáveis modismos alimentares surgirem e desaparecerem. Por isso, evitava seguir tendências. Segundo ele, sempre existia um novo estudo apontando um alimento como vilão ou herói da saúde, mas isso não significava que existisse uma dieta perfeita para todas as pessoas.
Em vez de apostar em regras rígidas, Tucker defendia uma alimentação baseada principalmente em alimentos naturais, com espaço para aproveitar a comida sem exageros. Para ele, reduzir o consumo de ultraprocessados, frituras e doces no dia a dia era uma estratégia muito mais consistente do que aderir a dietas restritivas.
Porém, embora a alimentação tenha um papel fundamental na saúde, Howard Tucker acreditava que ela era apenas uma parte da equação. Um dos pontos que mais defendia era a importância de manter o cérebro ativo durante toda a vida.
Segundo o médico, a aposentadoria poderia ser uma inimiga da longevidade, já que continuar trabalhando ou exercendo atividades intelectuais ajuda a preservar as funções cognitivas e reduz o risco de declínio mental. Aprender coisas novas, tomar decisões, manter contato com outras pessoas e ter objetivos são hábitos que ajudam a manter a mente em funcionamento.
Os hábitos que Howard Tucker considerava indispensáveis
Quando perguntado sobre quais atitudes recomendava para quem desejava envelhecer com qualidade de vida, Tucker foi bastante direto. Na visão dele, três hábitos fazem toda a diferença: manter o corpo e a mente ativos, nunca fumar e evitar alimentar sentimentos como ódio e rancor.
O neurologista explicou que emoções negativas prolongadas aumentam o estresse do organismo, elevando a pressão arterial e a frequência cardíaca – efeitos que, com o tempo, podem prejudicar a saúde. Da mesma forma, ele sempre foi um defensor da prevenção ao tabagismo e lembrava que acompanhou de perto a mudança de entendimento da medicina sobre os danos causados pelo cigarro ao longo das décadas.
Exercício físico continua importante depois dos 100 anos
Mesmo aos 102 anos, Howard Tucker não havia abandonado a prática de atividades físicas. Apenas adaptou a intensidade. Na época da entrevista, o médico caminhava na esteira em um ritmo mais leve e acreditava que manter o corpo em movimento era fundamental para fortalecer o coração, estimular o cérebro e preservar a autonomia.
Para os idosos, ele destacou que caminhadas costumam ser uma das melhores opções, mas lembrava que bicicletas ergométricas, aparelhos elípticos e outros exercícios também podem ser boas alternativas quando surgem limitações relacionadas à idade.
Vida social também faz diferença
Outro fator que Tucker considerava essencial era cultivar bons relacionamentos. Casado por quase sete décadas, ele atribuía parte de sua qualidade de vida ao apoio constante da esposa. Além disso, acreditava que amizades de diferentes gerações ajudavam a manter a curiosidade, o raciocínio e o interesse pela vida.
Na opinião do neurologista, o convívio social oferece estímulos importantes para o cérebro e contribui para o bem-estar emocional, aspectos frequentemente associados ao envelhecimento saudável.
O melhor conselho é fugir dos extremos
Depois de acompanhar a evolução da medicina por mais de 75 anos, Howard Tucker acreditava que muitas pessoas procuram respostas simples para uma questão complexa. Em vez de buscar uma dieta milagrosa ou uma rotina perfeita, ele preferia apostar no equilíbrio.
Seu cardápio costumava incluir frutas no café da manhã, além de refeições compostas por proteínas, vegetais e saladas. Eventualmente, também apreciava um martíni e admitia que, depois dos 100 anos, passou até a aproveitar sorvetes e donuts com um pouco mais de frequência.
Para o médico, genética e sorte também influenciam a longevidade, mas os hábitos diários continuam sendo decisivos. A principal mensagem deixada por Tucker, que faleceu aos 103 anos, é que viver mais não depende de seguir modismos, e sim de manter uma rotina equilibrada, cuidar da saúde física e mental, preservar os vínculos com outras pessoas e, principalmente, continuar encontrando motivos para aprender e aproveitar a vida em qualquer idade.