Hoje, Luciano Kunis é conhecido como o “Rei dos Tomates”. (Créditos: @elplanetaurbanook/ reprodução Instagram)
Luciano Kunis já teve uma trajetória profissional bastante diferente da que leva hoje. Formado em Direito, ele deixou a Argentina poucas semanas depois de concluir a faculdade, em 2001, e partiu para a Espanha com a intenção de fazer um mestrado em Direito Ambiental. O plano acabou mudando completamente: ele morou em Madri, trabalhou em uma loja de roupas, foi modelo, participou de comerciais e, posteriormente, entrou no mundo da produção de eventos e espetáculos.
A transformação veio de uma experiência aparentemente simples: comer um tomate. Durante o período em que viveu em San Sebastián, no País Basco, Kunis provou uma variedade que despertou uma lembrança da infância passada na fazenda dos avós. O sabor fez com que ele decidisse procurar aquele tomate novamente e, anos depois, algumas sementes trazidas da Espanha dariam origem ao negócio que mudaria sua vida.
Um tomate despertou uma memória de infância
Quando voltou à Argentina, Kunis passou a trabalhar no viveiro de mudas criado pelo pai na região de La Plata. Foi ali que começou a cultivar sementes de um tomate típico da região de Getaria, no País Basco.
A primeira experiência foi pequena, com apenas 50 plantas. O resultado, porém, chamou a atenção da família e, posteriormente, de chefs e restaurantes. A produção cresceu e passou a abastecer estabelecimentos gastronômicos e consumidores particulares.
Hoje, a propriedade produz cerca de 7 mil a 8 mil quilos de tomates por semana durante a temporada. O cultivo inclui variedades pouco convencionais, muitas delas menos produtivas e mais delicadas que os tomates encontrados normalmente no mercado.
Para Kunis, entretanto, produtividade não é o principal critério. O sabor vem antes de tamanho, formato, resistência ou quantidade produzida.
“O objetivo final é o sabor”
Uma das características do trabalho de Kunis é testar diferentes variedades até encontrar aquelas que realmente apresentam as características desejadas. Segundo ele, de 15 a 20 variedades experimentadas, apenas uma costuma avançar para a produção comercial.
O produtor também defende que os tomates sejam colhidos somente quando atingem o ponto adequado de maturação na própria planta. A prática, segundo ele, permite que o fruto desenvolva maior concentração de açúcar e sabor.
Por serem mais delicados, os tomates são colhidos individualmente e colocados em bandejas, sem serem empilhados como os produtos convencionais. Para manter a qualidade, a fazenda também realiza entregas frequentes aos restaurantes.
Do cultivo familiar ao “Rei dos Tomates”
O salto comercial aconteceu depois que os tomates chegaram ao restaurante Don Julio, em Buenos Aires. A qualidade do produto chamou a atenção dos profissionais do estabelecimento, e Kunis recebeu o convite para começar a fornecer os frutos.
A notícia se espalhou entre chefs argentinos e fez com que outros nomes conhecidos da gastronomia procurassem a fazenda. O que começou com uma produção de apenas cerca de mil quilos semanais cresceu até alcançar a escala atual.
A relação de Kunis com os tomates também ultrapassou o aspecto profissional. Ele conta que tem desenhos de tomates tatuados no corpo e que os sobrinhos passaram a chamá-lo de “Tio Tomate” e “Rei do Tomate”.
Além dos tomates, a propriedade cultiva abóboras, melancias, melões, ervas e outras variedades escolhidas principalmente pelo sabor. Durante a pandemia, a fazenda também passou a vender cestas diretamente para consumidores e, posteriormente, iniciou uma parceria com uma grande rede de supermercados.
Para o produtor, a mudança de carreira acabou revelando algo que ele não havia encontrado nas profissões anteriores: uma atividade que, além de gerar renda, se tornou parte de sua identidade. “Hoje, os tomates são um estilo de vida para mim”, resume Kunis.
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