Artista cria ilha flutuante feita com mais de 150 mil garrafas plásticas em um dos projetos sustentáveis mais curiosos, deixando o mundo todo surpreso
Por  Fausto Fagioli Fonseca  | Redator

Fausto é jornalista há mais de 15 anos, tendo trabalhado em diversos veículos com foco em saúde, alimentação, bem-estar e atividade física. Admite que não é um grande cozinheiro como as suas avós, mas tem suas receitinhas secretas!

A criação de Rishi Sowa funciona como uma enorme experiência de reaproveitamento

Na ilha, as garrafas continuam praticamente intactas! (Crédito: Imagem gerada via Gemini)

As garrafas plásticas descartadas normalmente são associadas a um dos maiores problemas ambientais dos oceanos. No México, porém, milhares delas ganharam uma função completamente diferente: tornaram-se a base de uma ilha artificial capaz de flutuar, receber vegetação e até servir de moradia.

O responsável pelo projeto é o artista e ambientalista britânico Richart "Rishi" Sowa. Instalado em Isla Mujeres, próximo à costa de Cancún, ele desenvolveu uma estrutura conhecida como Joyxee Island, construída a partir de mais de 150 mil garrafas plásticas reutilizadas.

Mais de 150 mil garrafas ajudam a manter a ilha flutuando

A lógica utilizada por Rishi é relativamente simples. Garrafas PET vazias e fechadas contêm ar e, quando reunidas em grande quantidade, fornecem flutuabilidade suficiente para sustentar uma estrutura sobre a água. Para construir a ilha, milhares delas foram agrupadas e colocadas dentro de redes.

Sobre essa base, foram acrescentados paletes e outros materiais capazes de formar uma superfície mais firme. O artista então adicionou areia, terra e vegetação. Aos poucos, aquilo que inicialmente parecia apenas uma grande plataforma passou a se aproximar visualmente de uma pequena ilha.

Entre os principais elementos utilizados estão:

  • Mais de 150 mil garrafas plásticas reaproveitadas
  • Redes utilizadas para manter as garrafas agrupadas
  • Paletes e estruturas de madeira
  • Terra e areia formando parte da superfície
  • Árvores e outras plantas cultivadas sobre a estrutura

A proposta chama atenção justamente porque um material descartável e frequentemente encontrado como resíduo no ambiente marinho passou a cumprir uma função estrutural completamente diferente.

Manguezais também fazem parte da estrutura

Um dos detalhes mais curiosos está na presença de plantas. Rishi cultivou manguezais e outras espécies diretamente sobre a ilha, fazendo com que a vegetação não tivesse apenas uma função estética.

À medida que crescem, as raízes atravessam diferentes partes da estrutura e ajudam a unir os materiais. Dessa forma, elementos naturais passam a participar da própria sustentação e estabilidade da plataforma.

A vegetação também transforma bastante a aparência do projeto. De longe, a combinação de árvores, arbustos e construções pode fazer com que seja difícil imaginar que existem milhares de garrafas plásticas escondidas logo abaixo da superfície.

Ilha também tem casa, energia solar e cultivo de alimentos

Rishi transformou a estrutura em um lugar onde é possível realizar diferentes atividades da rotina. Entre as soluções adotadas está o aproveitamento da energia solar. Painéis instalados na ilha ajudam a fornecer eletricidade sem depender exclusivamente de uma ligação convencional com a rede elétrica.

A água da chuva também pode ser coletada e aproveitada, enquanto parte do espaço disponível é utilizada para cultivar alimentos. Há ainda equipamentos que utilizam a própria luz solar para auxiliar no preparo das refeições. Com isso, o projeto reúne diferentes conceitos relacionados à sustentabilidade em um único lugar.

Projeto transforma lixo em material de construção

A iniciativa também é um exemplo bastante incomum de upcycling. Diferentemente da reciclagem convencional, que geralmente envolve transformar um material usado em matéria-prima para fabricar outro produto, o conceito busca reaproveitar objetos atribuindo a eles uma nova função e, muitas vezes, maior valor.

Na ilha, as garrafas continuam praticamente intactas. Em vez de serem trituradas ou derretidas, elas aproveitam justamente uma característica de sua forma original: a capacidade de aprisionar ar quando estão fechadas. É essa simplicidade que torna a Joyxee Island tão curiosa.

Um objeto produzido aos bilhões e normalmente descartado após poucos minutos de uso acabou servindo como elemento básico para uma construção que permanece flutuando sobre o mar...

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