Laura Ferreira Schistl decidiu abrir mão do dinheiro que guardava para sua festa de 15 anos para ajudar o amigo Lucas, de 6 anos.
Laura Ferreira Schistl, de 11 anos, moradora de Tijucas, na Grande Florianópolis, decidiu transformar a venda de alfajores em uma grande mobilização para ajudar o amigo Lucas, de 6 anos. O menino nasceu prematuro e tem uma grave limitação visual, possuindo apenas 7% de percepção de luz.
Inicialmente, Laura tinha outro objetivo. Ela vendia os doces para guardar dinheiro e realizar o sonho de ter uma festa de 15 anos. A mudança aconteceu quando passou a conhecer melhor a realidade de Lucas e a campanha organizada pela família dele para conseguir financiar um tratamento na Tailândia.
Menina decidiu mudar o destino do dinheiro
Lucas passava as manhãs na casa da família de Laura enquanto os pais trabalham. A convivência aproximou os dois e fez com que a menina entendesse melhor as dificuldades enfrentadas pelo amigo.
“Às vezes eu me pego pensando, eu sempre penso assim, mais vale eu fazer o Lucas enxergar do que eu fazer minha festa de 15 anos”, contou Laura. Para ela, enquanto a comemoração duraria apenas um dia, a possibilidade de Lucas ampliar a capacidade de enxergar poderia mudar sua vida. “Claro, é um dia muito especial, mas o Lucas, se ele puder enxergar, ele vai enxergar pelo resto da vida”, afirmou.
A decisão fez a venda de alfajores ganhar uma nova dimensão. Ao todo, Laura chegou a vender 29 mil unidades e ajudou a família de Lucas a arrecadar mais de R$ 100 mil para o tratamento.
Apenas 7% de percepção de luz
Segundo a mãe do menino, Mabilly Saramento, Lucas foi diagnosticado aos dois anos com a síndrome de Morsier, uma condição associada a alterações no desenvolvimento do nervo óptico. O garoto também apresenta nistagmo e autismo. “É uma má formação no nervo que faz com que ele não enxergue da forma que a gente vê. São as cores, os formatos, os objetos. A visão dele é bem comprometida”, explicou Mabilly.
“Eu não enxergo desde que eu nasci. Meu maior sonho é poder enxergar”, declarou Lucas.
Tratamento na Tailândia pode ampliar a visão
A campanha arrecadou recursos para levar Lucas à Tailândia. “O tratamento é por células-tronco. A ideia do tratamento é que o Lucas tenha uma porcentagem maior de visão. A gente não pode dizer 100%, porque o nervo do Lucas é bem comprometido”, explicou Mabilly.
Ainda segundo ela, mesmo um aumento relativamente pequeno na percepção visual poderia representar uma mudança significativa na qualidade de vida do menino.
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