Os donuts com cobertura de açúcar glaceado são marca registrada da rede norte-americana Krispy Kreme (Créditos: Shutterstock)
Massa leve e macia, cobertura fina de glacê e um aroma irresistível. Essa é a marca registrada da Krispy Kreme, uma das redes de donuts mais conhecidas do mundo. Sucesso há décadas nos Estados Unidos, a marca desembarcou oficialmente no Brasil em abril de 2025 e, desde então, vem atraindo filas de consumidores curiosos para provar suas famosas rosquinhas.
Em pouco mais de um ano, a rede chegou a abrir seis unidades em São Paulo e agora planeja ampliar ainda mais sua presença no país. Mas a sensação em território brasileiro é apenas mais um capítulo de uma história que começou há quase 100 anos com uma ideia bem simples: vender donuts ainda quentinhos para quem passava pela rua.
Tudo começou com uma receita secreta
Em 1933, o americano Vernon Rudolph trabalhava para o negócio de seu tio, que havia adquirido uma loja de donuts em Paducah, no Kentucky, junto com seus equipamentos e até mesmo a "receita secreta" de um confeiteiro francês de Nova Orleans, chamado Joe LeBeau.
Alguns anos depois, Rudolph decidiu seguir seu próprio caminho. Em 1937, ele se mudou para a cidade de Winston-Salem, na Carolina do Norte, e iniciou sua produção de donuts com o conhecimento que havia adquirido nos anos anteriores, dando início à Krispy Kreme.
Inicialmente, Rudolph trabalhava principalmente com venda para supermercados. Seus donuts eram produzidos e distribuídos por caminhões para outros estabelecimentos. Só que havia um pequeno detalhe: o cheiro dos donuts recém-preparados escapava pela loja e chegava até a rua. E foi justamente esse aroma que ajudou a transformar a Krispy Kreme em uma operação de venda direta.
O cheiro dos donuts criou uma nova forma de vender
Quem passava pelo local começou a pedir os donuts ali mesmo. Rudolph logo percebeu a oportunidade e criou uma abertura na parede da loja para vender os produtos diretamente ao público. Essa pequena janela improvisada acabou dando origem ao varejo da marca. Era um truque de venda extremamente simples: fazer o cliente sentir o cheiro do produto antes mesmo de comprá-lo.
Décadas depois, essa ideia continua fazendo parte da experiência da Krispy Kreme. A produção visível e o donut servido ainda quente, sempre bem fresco, são elementos importantes da identidade da marca.
A inovação que ajudou a padronizar os donuts
Entre tantos sabores da rede, nenhum ficou tão famoso quanto o Original Glazed®, um donut de massa leve, sem recheio, coberto apenas por uma fina camada de glacê. A proposta parece simples, mas a textura e o sabor inigualáveis é uma das características mais associadas à marca.
Porém, manter essa experiência na produção em larga escala se tornou um desafio conforme a Krispy Kreme crescia. Foi aí que entrou outro "ingrediente" importante da história da rede: a tecnologia. Vernon Rudolph não queria apenas vender donuts gostosos. Ele também buscava uma maneira de garantir que eles fossem produzidos com qualidade e regularidade.
A partir do fim dos anos 1940, a Krispy Kreme passou a investir em departamentos próprios de laboratório e equipamentos. Nesse contexto, a empresa conseguiu desenvolver máquinas para facilitar a padronização da produção, em vez de depender exclusivamente do trabalho manual.
A inovação ajudava a economizar tempo, espaço e ingredientes, além de deixar os produtos mais uniformes. Ou seja, aquela rosquinha perfeitamente redonda que até hoje chega à vitrine não é apenas resultado de uma receita: existe uma história de engenharia por trás dela.
A marca cresceu, passou por dificuldades e voltou às origens
Durante as décadas de 1950 e 1960, a Krispy Kreme cresceu principalmente pelo sudeste dos Estados Unidos. Naquele período, a empresa também passou a fabricar suas próprias máquinas e a desenvolver sistemas para garantir que diferentes lojas seguissem os mesmos padrões de produção.
Já na década de 1970 viria uma mudança importante para a marca: Vernon Rudolph morreu em 1973 e, três anos depois, sua empresa foi incorporada à Beatrice Foods, um grande conglomerado de alimentos, que acabou afastando a Krispy Kreme de sua identidade original.
Uma nova virada viria em 1982, quando um grupo de antigos franqueados comprou a Krispy Kreme de volta. A nova administração decidiu retomar a atenção ao donut fresco e à experiência tradicional da marca. A partir daí, a expansão ganhou força novamente.
Atualmente, a Krispy Kreme está presente em dezenas de países e transformou o simples donut glaceado em um produto reconhecido mundialmente.
Chegada ao Brasil e novidades voltadas aos gostos locais
No Brasil, a primeira loja da Krispy Kreme abriu oficialmente em 29 de abril de 2025, na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 1.065, na Vila Nova Conceição, em São Paulo. A inauguração foi acompanhada de filas que chegaram a ultrapassar quatro horas nos primeiros dias de funcionamento.
Mesmo mantendo o Original Glazed® como carro-chefe por aqui, a rede também apostou em sabores adaptados ao público brasileiro. Entre as opções apresentadas na chegada ao país estão donuts recheados de doce de leite e cobertos com açúcar e canela (inspirados no bolinho de chuva), além de sabores tradicionais da rede.
Funcionando também como fábrica, a loja da Juscelino Kubitschek foi pensada para que o público pudesse acompanhar a produção, reforçando justamente um dos elementos que fizeram parte da história da marca desde o começo: oferecer donuts sempre frescos.