Como uma padaria conseguiu transformar um produto premium, que parecia reservado a ocasiões especiais, em algo que as pessoas passaram a consumir todos os dias
Por  Amanda Lopes  | Redatora

Fascinada por MasterChef, culinária nordestina, pratos empanados, receitas rápidas e drinks diferentes, Amanda não abre mão de um bom cafezinho acompanhado de água com gás após o almoço, mesmo nos dias quentes.

Como um produto artesanal, associado ao consumo premium e a ocasiões especiais, virou parte da rotina dos cariocas? A Nema encontrou a resposta!

Uniu fermentação natural e preços acessíveis. (Créditos: reprodução Instagram/ @klausallers)

Transformar um produto artesanal, associado a uma experiência premium e a ocasiões especiais, em um hábito cotidiano parece contraditório. Foi justamente esse desafio que ajudou a explicar o crescimento da Nema, rede carioca criada por Klaus Anton Allers e Rafael Widholzer Bordinhão. A marca conseguiu levar a fermentação natural para a rotina sem abandonar os atributos que fazem esse tipo de produto ser valorizado.

O segredo não foi baratear, mas mudar a forma de vender

A estratégia da Nema parte de uma ideia simples: um produto premium não precisa ser consumido apenas em momentos especiais. Em vez de transformar o pão de fermentação natural em um item excessivamente sofisticado, a empresa apostou em uma experiência mais prática, acessível e compatível com a rotina.

Klaus Allers estudou panificação em Nova York e trouxe para o negócio conhecimento sobre fermentação natural. Ao lado de Rafael, ajudou a construir um modelo que combina produção artesanal com preços considerados mais acessíveis, com direito a promoções semais.

Essa combinação foi importante para mudar a percepção do consumidor. O pão de fermentação natural continuou carregando a qualidade e cuidado artesanal, mas passou a dividir espaço com produtos que fazem parte de um lanche comum, como pizzas, sanduíches, croques, bolos, brownies e pães de queijo.

Da pequena loja de Ipanema para mais de 20 endereços

A primeira Nema surgiu em Ipanema e serviu como ponto de partida para uma expansão rápida pelo Rio de Janeiro. O modelo de lojas compactas, visual despojado e cardápio diversificado ajudou a aproximar a panificação artesanal do consumo diário.

Hoje, a rede soma mais de 20 endereços no Rio, oferecendo desde o sourdough clássico até pizzas quadradas, croque-monsieur e doces.

Entre os produtos estão a pizza quadrada em sabores como marguerita e calabresa e o croque-monsieur preparado com pão de fermentação natural, queijos e molho bechamel. Brownies e bolos também completam o cardápio.

O reconhecimento veio também do mercado gastronômico. Em 2022, a Nema recebeu o prêmio Veja Rio Comer & Beber na categoria “Bom e Barato”, destacando justamente a relação entre qualidade, produção artesanal e preço.

Transformou o pão artesanal em um hábito cotidiano. (Créditos: @nemapadaria/ reprodução Instagram

Um produto especial que virou parte da rotina

A história da Nema mostra que tornar um produto premium mais popular não significa necessariamente retirar dele aquilo que o torna especial. O diferencial está em remover barreiras ao redor da experiência.

A fermentação natural continua sendo parte importante da identidade da marca, mas deixou de aparecer apenas como um ritual gastronômico. Ao colocá-la em sanduíches, pizzas e outros produtos consumidos no dia a dia, a Nema criou novas ocasiões de consumo.

O resultado é um modelo que preserva a percepção de qualidade do artesanal, mas transforma essa qualidade em algo mais próximo, recorrente e escalável, uma combinação que ajudou a fazer da Nema uma das redes de padaria mais conhecidas do Rio.

Veja mais

Rodrigo Hilbert transformou o sítio da família em Teresópolis em um laboratório de vida sustentável, apostou na construção artesanal e no cultivo de hortas orgânicas para a produção de alimentos caseiros sem agrotóxicos

Temas relacionados
Notícias relacionadas